O sol ia aparecendo no horizonte e nossos olhares se distanciando, estava chegando a hora das despedidas, e mundialmente despedida é algo triste, eu as odeio, sempre vou sem avisar. Fizemos o último café da manhã em grupo, fui surpreendido por Jhon, ao abrir a barraca ele me esperava com um copo de café e um prato com pães recheados de pasta de amendoins e geléia, não havia palavras para dizer o que eu senti, aquilo era prova de uma amizade sincera e sem interesses, diferente de algumas que fazemos aqui no Brasil, agradeci de coração e tomei o meu café ao seu lado, durante o desjejum eu me lembrei de todos dias a incumbência de lavar a louça e sempre ouvir uma bronca por causa do mal trabalho, eu sempre resmungava em português para aquela branquela de primeiro mundo que, nós de países subdesenvolvidos éramos melhores na cozinha do que eles que nem podem pegar uma corzinha de sol, apesar de péssimas discussões eu já estava começando a pensar na saudade que aquilo iria me causar, a mina queria ser a rainha do campo mas, no fundo era gente boa. Sabe aquela sensação de que algo está acabando de modo que você nada pode fazer para evitar (compare ao amor se quiser), é muito chato quando algo está chegando ao fim, na hora do almoço todo mundo sentou em círculo e em silêncio, todos se olhavam e davam sorrisos amarelos, algo estava chegando ao fim e nada poderíamos fazer para evitar, não é bom se apegar a pessoas mas, nunca damos ouvidos para esses conselhos. O líder Francis, codinome La bamba começou a falar o que aprendeu naqueles dias com cada um de nós, logo estávamos dando nossos depoimentos, fiquei muito feliz em poder dizer tudo que me faz acreditar no escotismo e que isso foi confirmado ao conhecer cada uma daquelas pessoas, não chorei, mas faltou pouco.
Troquei distintivos e camisetas, acabei dando uma camiseta escoteira para meu amigo da Zâmbia, Harrison, em retribuição ele me deu seu uniforme, ganhei algumas camisetas e distintivos de outros amigos que fiz, tirando o pequeno detalhe que alguns quenianos queriam ganhar tudo, pedriram até minha pasta de dentes, o clima era de amizade mas, é recomendável que fiquemos atentos, alguns pegavam meu boné, lenço e saiam andando e sorrindo, eu com muita diplomacia e sorriso na cara dizia que não podia dar porque aqueles objetos tinham valores sentimentais, mas que no fim comigo não ocorreu nada demais.
Ao fim da tarde era encerrado oficialmente o 13° Rover Moot no Quênia, o momento marcante foi quando todos renovamos nossa promessa, Baden Powell deve estar muito feliz, onde quer que ele esteja. Para fechar com chave de ouro, nada melhor do que dançar ao som de waka waka e La bamba em uma festa onde todos estavam totalmente misturados e sem receio nenhum de abraçar pessoas que agora não eram mais desconhecidas.
Eu realmente não aprendi a me despedir das pessoas, mas sempre gosto de dizer: OBRIGADO POR EXISTIR.
Kwaheri (adeus)
Bju me clicka
obs: bateu uma saudade aqui




















