Blog do Maroca

Matando um leão a cada dia no mundo audiovisual

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O sol ia aparecendo no horizonte e nossos olhares se distanciando, estava chegando a hora das despedidas, e mundialmente despedida é algo triste, eu as odeio, sempre vou sem avisar. Fizemos o último café da manhã em grupo, fui surpreendido por Jhon, ao abrir a barraca ele me esperava com um copo de café e um prato com pães recheados de pasta de amendoins e geléia, não havia palavras para dizer o que eu senti, aquilo era prova de uma amizade sincera e sem interesses, diferente de algumas que fazemos aqui no Brasil, agradeci de coração e tomei o meu café ao seu lado, durante o desjejum eu me lembrei de todos dias a incumbência de lavar a louça e sempre ouvir uma bronca por causa do mal trabalho, eu sempre resmungava em português para aquela branquela de primeiro mundo que, nós de países subdesenvolvidos éramos melhores na cozinha do que eles que nem podem pegar uma corzinha de sol, apesar de péssimas discussões eu já estava começando a pensar na saudade que aquilo iria me causar, a mina queria ser a rainha do campo mas, no fundo era gente boa. Sabe aquela sensação de que algo está acabando de modo que você nada pode fazer para evitar (compare ao amor se quiser), é muito chato quando algo está chegando ao fim, na hora do almoço todo mundo sentou em círculo e em silêncio, todos se olhavam e davam sorrisos amarelos, algo estava chegando ao fim e nada poderíamos fazer para evitar, não é bom se apegar a pessoas mas, nunca damos ouvidos para esses conselhos. O líder Francis, codinome La bamba começou a falar o que aprendeu naqueles dias com cada um de nós, logo estávamos dando nossos depoimentos, fiquei muito feliz em poder dizer tudo que me faz acreditar no escotismo e que isso foi confirmado ao conhecer cada uma daquelas pessoas, não chorei, mas faltou pouco.

Troquei distintivos e camisetas, acabei dando uma camiseta escoteira para meu amigo da Zâmbia, Harrison, em retribuição ele me deu seu uniforme, ganhei algumas camisetas e distintivos de outros amigos que fiz, tirando o pequeno detalhe que alguns quenianos queriam ganhar tudo, pedriram até minha pasta de dentes, o clima era de amizade mas, é recomendável que fiquemos atentos, alguns pegavam meu boné, lenço e saiam andando e sorrindo, eu com muita diplomacia e sorriso na cara dizia que não podia dar porque aqueles objetos tinham valores sentimentais, mas que no fim comigo não ocorreu nada demais.

Ao fim da tarde era encerrado oficialmente o 13° Rover Moot no Quênia, o momento marcante foi quando todos renovamos nossa promessa, Baden Powell deve estar muito feliz, onde quer que ele esteja.  Para fechar com chave de ouro, nada melhor do que dançar ao som de waka waka e La bamba em uma festa onde todos estavam totalmente misturados e sem receio nenhum de abraçar pessoas que agora não eram mais desconhecidas.

Eu realmente não aprendi a me despedir das pessoas, mas sempre gosto de dizer: OBRIGADO POR EXISTIR.

Kwaheri  (adeus)

Bju me clicka

obs: bateu uma saudade aqui

- O pá,cara o ar da áfrica está deixando o povo todo maluco, até o padre está safadão, estás ali a ficar olhando as garotas.

Pois é, acordei ouvindo essa frase do Valter, o portuga, era muito engraçado ver ele falando nossas gírias, e quase toda a delegação brasileira falando no sotaque de Portugal.

Este dia estava marcado para visitarmos a casa e o túmulo do fundador do movimento escoteiro, Lord Robert Baden Powell, se você acredita em algo e tem a oportunidade de ir na origem da coisa, imagino que sua emoção pode ser comparada a minha, lógico que não quero comparar com esses lances de religião porque senão eu seria julgado e condenado pela inquisição virtual mas, para mim chegou bem perto, o coração acelerou, as palavras fugiram, bateu uma tremedeira e ali estavamos nós na casa e no túmulo de Baden Powell.

Primeiro fomos ao quarto de hotel em que BP (apelido do fundador) morava, intitulado de PAXTU (paz para dois, acho que em latim) onde há uma grande variedade de fotos, distintivos e lenços escoteiros do mundo inteiro, pelo que fui informado, os lenços e distintivos são trocados mensalmente devido ao seu grande acervo e pequeno espaço para tal exposição. O simples fato de poder entrar em sua última residência foi super emocionante mas o melhor estava por vir, a visita ao seu túmulo, onde ele encontra-se com sua esposa Lady Olave, que contribuiu para a inserção de moças no movimento e a lápide que é comentada no mundo inteiro por sua marca com o sinal de pista, voltem todos ao ponto de reunião. Naquele momento parecia que estávamos visitando o túmulo de um grande popstar, apesar de não gostar do fanatismo que as pessoas fazem para os artistas mortos proferindo que nunca mais existirá ninguém igual a ele e blá blá blá, eu me senti realizando um sonho de fã.

Bande Powell merece sua atenção pelo simples motivo, ele foi o cara que pensou na juventude e arregaçou as mangas acreditando em deixar o mundo melhor e, acima de tudo isso deixou a coisa livre para ter melhorias e adaptações para a nossa geração, diferente desses tiozões da história que ninguém pode mudar um “a” dos livros deles, senão o mundo vai acabar (ainda bem que o batman não gostava de escrever). E para BP eu só tenho uma palavra: ASANTE  SANA (muito obrigado), por tudo.

Muitas lágrimas tímidas saltaram dos olhos dos presentes ao ver e tocar a lápide, afinal, não é todo dia que a gente saí do Brasil para visitar o túmulo de Baden Powell no Quênia né?

Depois de tantas emoções (como diria o rei Roberto Carlos), fizemos nosso caminho de volta a Nairobi, o túmulo e o hotel que BP morou ficava em Nyeri a três horas de ônibus, então haja alegria e muita música até chegar ao acampamento. As tão comentadas gregas nestes benditos textos voltaram no mesmo ônibus que agente porém, com cara de poucos amigos e sonolentas, bem similares a uma mulher brasileira com tpm, sem tirar nem colocar. Foi somente na bagunça que o fundão lusófono começou:

“Ela te quer, ela te quer

Ela te quer, ela te quer

Tchaka na butchaka, tchaka na butchaka

Tchaka na butchaka, tchaka na butchaka…

As garotas que vieram do berço da cultura se animaram e engrossaram nosso refrão, éramos seis ônibus a caminho do acampamento fazendo uma saudável competição de ultrapassagem pela estrada que não tem buraco nem uma única placa de sinalização, podíamos ter ficado no cemitério e evitado tanto suspense sobre a vida após a morte, imprudência foi pouco mas, cada ultrapassagem era motivo para cantar:

“Ela te quer, ela te quer

Ela te quer, ela te quer

Tchaka na butchaka, tchaka na butchaka

Tchaka na butchaka, tchaka na butchaka…

Bju me clika

uau :D

Dia 2 de agosto de 2010 – Rafiki

Este dia começou com dois sentimentos, um ruim por que eu estava acostumado com o vilarejo de Machakos e conhecia muitas pessoas do campo, que me deixou na dúvida se seria essa energia de volta em Rowallan, e um muito bom pois iria rever meus amigos brasileiros e fazer novos amigos que estiveram em outras expedições.

Da janela do ônibus, parecia  estar passando um filme daqueles de viagem em auto estrada, era possível ver rebanhos de camelos soltos pelas planícies, me senti dirigindo um carro conversível com algum óculos estiliso no rosto.

Chegando em Nairobi fomos bem recebidos pelo engarrafamento que apesar de ser uma loucura, não ocorre nenhuma batida, os motoristas do Brasil deviam fazer um workshop com os quenianos.

Fomos a um shopping trocar dinheiro, comprar coisas industrializadas e utilizar um banheiro de verdade, daqueles que tem porta, descarga, papel higiênico e que no fim você sai com as mãos lavadas.

No shopping havia poucos consumidores e funcionários negros, fazer o que? Cheguei lá já estava assim, pelas ruas de Nairobi é possível ver as diferenças econômicas, o ônibus passou por uma área nobre onde notamos que quem é rico, é muito rico e quem é pobre, é apenas o resto.

Chegando a Rowallan, fizemos um encontro com todos os brasileiros, com direito a um bom arroz solto, frango picadinho e uma boa salada, tudo com tempero, graças a Deus.

Aproveitamos esse momento para trocarmos experiências que vivemos nos campos, além de Machakos, havia o Embu e Kayaba. Sempre é bom estar com um Rafiki, ou seja, um amigo.

Dia 3 de agosto – Ugali

A manhã foi iniciada por uma maratona de 5kms, eu me enrolei e acabei deixando a Isis sem participar, não é legal ver uma pessoa triste, mas o pior de tudo foi que chegamos atrasados míseros 5 minutos e no fim da pista já podíamos ver o primeiro queniano voltando, e acredite se quiser mas, ele estava correndo de sapato.

Alguns amigos brasileiros participaram, eu não tenho essa coragem, prefiri fazer a social e parabenizar cada um que chegava.

Após o almoço básico nosso de cada dia, fomos ao centro da cidade conhecer o museu nacional de Nairobi, onde tem registrado toda a sua história sobre fauna, flora e étnica. Valeu a pena o giro, não só pelo museu mas, pela lanchonete que tinha lá, que nós fez esquecer do Ugali, um bolo que lembra purê de batata só que feito com farinha, sem sal e sem gosto, o gosto é adicionado quando você vai colocando os pedaços de ugali no molho, eu gostei mas admito que não dava para comer todo dia, se tinha algo mais parecido com a comida de casa, valia a pena gastar umas moedas para comer algo bem feito e um pouco saboroso.

Dia 4 de agosto – Babu

Tezaaaaaão

Foi assim que o dia amanheceu em Rowallan, Richardson e Thibault, um taitiano e um francês que estavam fazendo seu papel internacional de escoteiros bagunceiros, disseminavam a palavra tezão aos quatro cantos do acampamento, as meninas vinham até nós perguntar o significado da palavra porém, eu apenas explicava o mesmo caso do #calabocagalvão, Tezão era um pássaro em extinção no Brasil e dizer seu nome alto e em bom som, significava que você queria salvá-lo, uma hora depois todo o contingente francês gritava:

-TEZAAAAAAAAÃO!

Um chefe brasileiro perguntou a nós quem havia ensinado, nem eu sabia (tu acredita nisso?).

Dia 4 de agosto foi marcado pela esperança de um novo Quênia, o povo estava nas ruas para escolher a nova constituição que daria mais poder ao povo e menos ao atual presidente, era visível nos olhos de cada escoteiro queniano a esperança de uma política nova, eu esperava o pior, acreditava que as coisas podiam ser parecidas com massacre de 2007 que deixou mais de 1500 mortos por causa de uma eleição fraudulenta.

Neste dia foi proibida a saída do campo por motivo de segurança,  anoite assistimos ao telejornal que noticiava pequenos focos de manifestantes em algumas províncias, em Nairobi ocorreu tudo bem e a democracia ganhou o seu espaço através da escolha do povo. Sempre é dia de começar de novo, eu acredito nisso, welcome Kenya.

Uma grande variedade de atividades foram colocadas a disposição de todos, desde dança a corrida de orientação. Alguns países montaram stands para promover os eventos internacionais, o Brasil estava divulgando a conferência escoteira internacional que ocorre em janeiro de 2011.

A tarde teve a mostra gastronômica onde nós levamos o melhor do sabor brasileiro com: Feijoada, brigadeiro e suco de guaraná, também apresentamos um pouco de nossa cultura musical através de uma performance que começava com um forró mixado com samba e finalizando com um funk saudável, tudo montado pelo engenheiro de som: Kiko, mas não era o do KLB não :) . (também não gostei da piada, mas vou deixar mesmo assim)

Enquanto comíamos e dançávamos na arena conhecendo a culinária de todos os países, os macacos do acampamento faziam sua festa nas cozinhas dos campos, tudo em equipe, um vigiava, outro pegava a comida e um terceiro despistava com gracinhas qualquer um que fosse ao campo pegar algo, macacos sabem ser escoteiros melhores do que nós, nunca consegui esconder nada do meu chefe, e macaco em Swahili é babu.

Um vídeozinho sobre algumas coisas e encerrar mais um post sobre esta bela aventura.

E por hoje é só pessoal, sempre alerta

Bju me clicka

Vamos à ecologia, visitamos uma cooperativa de escultores em madeira, plantamos muitas mudas, meu amigo brasileiro Rauly que estava na minha unidade me safou de muitas porém, não deixou de colocar-me em várias encrencas, meu inglês era de bad a terrible e o Rauly além de falar inglês, falava grego, gaulês e arranhava em mais uns quatro idiomas. O ocorrido foi que Karla uma alemã super gente fina comentou que conhecia o samba do Brasil, eu com essa corzinha de caramelo falei na mais pura inocência que, poderia ensiná-la, claro que meu google tradutor, Rauly fez seu papel e disse com suas próprias palavras, o que resultou no afastamento de Karla durante vários dias achando que eu queria agarrá-la a qualquer maneira, não é mentira. Somos conhecidos por nosso futebol e samba, mas também por nossa fama de conquistadores, é muito ruim pagar pela fama dos outros, uma vez que eu sou a exceção da regra, não jogo bola, não danço samba e nem sou um bom conquistador, mas quem está na chuva está querendo se molhar.

A tarde fomos ao centro da cidade de Machakos comprar kassavas (mandioca) e trocar dólar por xelim queniano, entramos em um beco onde a coisa não é bonita de se ver, todos nos encaravam e as kassavas não apareciam, todos querem conversar com você, porém é preciso ter jogo de cintura para não ser surpreendido, Jó me salvou de uma enrascada, um homem me segurou pela mão e começou um grande interrogatório, Jó pediu licença e seguimos de volta para a rua, foi no mercado municipal que achamos a benditas kassavas que o Rauly procurava, pois havia prometido aos quenianos um caldo brasileiro para eles provarem.

Voltando ao campo, um grupo cultural ensinava a fazer fios de cisal e dançava ao som dos tambores feito por eles, até arrisquei no som com eles, porém continuo a gostar do Olodum.

A noite encerramos nossas atividades em Machakos da melhor forma, uma fogueira tradicional escoteira e uma boa festança regada a muito som queniano e nada de bebida porque beber resultava em expulsão do acampamento e ninguém queria correr o risco.

A felicidade por si só, já é um ótimo motivo para viver. Conheci Jennifer e Lílian, uma australiana que gostaria de aprender o que nós, latinos temos no sangue que, não nos permite ficarmos parados e uma norueguesa que também queria aprender o motivo de nossa alegria ininterrupta.

Fiz uma amizade profissional no Quênia, Violet uma jornalista simpática e super legal (o que está em escassez no Brasil) que nos acompanhou em nossa estadia em Machakos, ela me ensinou alguns passos quenianos que utilizei nas festas em Rowallan. Enquanto isso Rauly preparava seu caldo no campo a espera da visita de suas “amigas” gregas.

Leandro para mim tornou-se um irmão, foi meu primeiro contato com contingente brasileiro e o mais surpreendente de todos, não sabia uma palavra em outro idioma, seu português tinha sérias interferências da zona oeste de São Paulo como: firmeza, meu, mano, bang e outras gírias, porém Leandro era o staff  mais conhecido entre todos do campo, inclusive pelas gregas que o Rauly investia.(pode rir que é verdade)

A vida é engraçada mesmo, basta viver mais e se importar menos, liga o Hakuna matata e deixa o resto a cargo do destino, por que “os seus problemas você deve esquecer, isso é viver, é aprender… hakuna matata.”

Obrigado por todo mundo que está comentando, to muito feliz por isso

vamos nessa

Bju me clika

Ser brasileiro no primeiro mundo pode não sgnificar muito, mas ser brasileiro na áfrica é muita coisa, todos amam futebol e o samba, apesar de ser a exceção da regra, em terra de cego quem tem um olho é caolho. Aproveitei o embalo e entrei na viagem de que realmente o samba e o futebol tem muito a oferecer, que no meu caso ajudou em ótimas amizades.

Nosso segundo dia em Machakos precisava de outro tipo de emoção, fomos para uma caminhada em direção a montanha mais alta da cidade, que eles chamam de As colinas de Ivete. O preparo físico dos quenianos realmente nos tira o fôlego, o que fazíamos andando eles faziam correndo e os árabes tossindo devido ao excesso de fumo, que por sinal nos custou um breve sermão da polícia local pois no Quênia não é permitido nem beber, nem fumar nas ruas,outra coisa que aconteceu foi quando eu e meu amigo Valter fomos parados por um policial pelo fato dele estar usando uma camisa vermelha que significava não está de acordo com o referendo sobre a nova constituição.

- Por que você está usando esta cor? Perguntou o policial

Valter não soube responder em inglês muito menos em português a pergunta do policial

- De onde vocês são?

- Eu sou brasileiro. Respondi

- BRASIL, eu amo o BRASIL, futebol, Kaká, Robinho…..

Fomos salvos pelo futebol brasileiro, ufa. Em nossa direção caminhava o Francis para resolver qualquer problema que graças ao futebol não foi preciso, Francis recomendou não nos separarmos do grupo, Khaled e Jarrah eram o árabes do nosso grupo, apenas Khaled falava inglês e Jarrah sorria e dizia “yes, how are you?, good e bye” pelo menos já tinha alguém com um inglês pior que o meu que, não era muita coisa porque árabe eu também não falava.

Durante a caminhada pude conhecer o Queniano Japhet que ganhou o apelido de Loving attack, pois todo o dia estava acompanhado de uma garota queniana diferente. De cima da colina podíamos ver pessoas como formigas lá embaixo, a maior surpresa foi descobrir que encima da colina moravam pessoas e que havia uma escola.

Paramos para um almoço a base de sanduíches e suco engarrafado, apelidado pelo Leandro de pinho sol, pois o mesmo tinha apenas cor, muito similar ao que tomamos em refeitórios do governo ou em faculdades públicas, criamos um som as garrafas vazias e com as sacolas de papel, eu posso não saber sambar mas sei fazer um batuque, de música todo mundo gosta.

Voltamos ao campo de Machakos após a nossa caminhada de 45 kilometros.

Eu precisava tomar um banho e ir ao banheiro despachar um fax para o presidente, o frio não cessava e o banheiro que tava livre era o turco (aquele que tem apenas um buraco no chão, melhor não imaginar) era que o tinha, e precisava ser feito, consegui ir, mas o pior foi o banho gelado, um chuveiro cercado por paredes de plástico. anoite não foi possível ver as estrelas porque o dia continuava nublado, parecia que estava esfregando gelo na pele, sobrevivi e não fiquei resfriado.

Bju me clika

Talvez este tenha sido o dia mais marcante que passei no Quênia, logo após o café preparado por nós a base de chá com leite, muito pão de forma com manteiga de amendoim, geléia e ovos cozidos. Mas quando estamos fora de casa, o melhor é se alimentar quando se tem oportunidade, pois o almoço podia ser uma surpresa pior, e foi.

Dentro do ônibus fui conhecendo melhor as pessoas do meu grupo, tudo da melhor forma a brasileira, rindo, tocando e gesticulando muito; Se o inglês não é excellent, o jeito é improvisar.

Chegamos ao nosso destino, o maior colégio de ensino fundamental da cidade de Machakos, fomos recebidos pelo diretor do qual não me lembro o nome mas, que nos fez um breve resumo histórico da escola, fundada em 1956, é a mais antiga da região e que tem mais alunos, 1029 alunos. Não tem merenda e nem fonte de água potável, os alunos trazem sua água como podem, em garrafas de amaciantes, gasolina e óleo. Também é visível a pobreza no local através dos pés das crianças, quase todas descalças, as poucas calçadas usavam sapatos gastos e chinelos feitos com restos de pneu.

Nosso trabalho era pintar as paredes e quadros do colégio enquanto a outra parte da equipe brincava com as crianças, muitas salas não tinham mesas e cadeiras, um professor de educação básica nesta região ganha uma média de 800 xelins quenianos por turma ao mês, equivalente a 20 reais, mesmo assim a educação é muito estimulada e as crianças adoram ir para escola, ao fim do período matutino elas vão para casa e retornam a tarde com suas garrafas abastecidas de água.

A primeira dificuldade foi tentar organiza-los, pois todos tem cabeça raspada devido ao piolho e nenhum deles entendem inglês que só será ensinado aos 12 anos, com eles só falando em swahili, nessa hora Jô tinha se tornado meu google translate.

- Fale ABARIAKO a eles.

- Mas o que significa?

- Como vai você.

- Beleza, então lá vai… ABARIAKO!

- MZURI SANA!!! (muito bem)

Sim, a nossa forma de comunicação tinha sido estabelecida, depois somente gestos é que poderiam criar um círculo de canções. Crianças são iguais em qualquer parte do mundo, adoram brincar, cantar e dançar, elas querem segurar na sua mão, fazem caretas para as fotos, é impossível ficar indiferente com tantos sorrisos pequeninos.

Indo embora uma linda menininha segurou a minha mão e falou em swahili, Jô teve que traduzir.

- Ela quer saber quando você volta.

Não pude conter minhas lágrimas e prometi que breve. Jamais me esquecerei de cada bracinho acenando um até logo para o ônibus, era visível a emoção de todos no ônibus, alguns com lágrimas, outros com um olhar reflexivo do que tínhamos acabado de presenciar, a África tem muito a nos ensinar, às vezes é preciso atravessar o oceano para dar valor a coisas que sempre estiveram ao nosso lado, solidariedade é a lei.

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Para quem deseja conhecer o mundo e acha que o inglês é a salvação de todos os problemas pode estar um pouco enganado, reconheço que o inglês é fundamental porém, o jeitinho brasileiro concede coisas que não há idioma que expresse,  o Leandro que o diga pois, ele não falava inglês e acabou sendo um dos nomes mais conhecidos em todo o acampamento.

Além de um inglês super diferente de tudo que aprendi no colégio público (que para mim é o mesmo que nada) no Quênia existe um segundo idioma muito comum que é o Swahili, onde a primeira palavra que aprend foi JAMBO, que significa Olá.

No dia 29 fomos separados por equipes e colocados em ônibus para seguirmos para os centros de expedição, o meu centro era na cidade de Machakos a 65 km de Nairobi que levou três horas de viagem, dentro do ônibus senti a primeira porrada no estômago do que sempre imaginei, nós brasileiros bagunceiros e senhores do fundão, assumimos nosso posto internacional no ônibus, alguns europeus que ainda eram desconhecidos também sentaram conosco.

Jó, um queniano caminhou em direção ao fundo porém ao perceber que não tinha nenhum conhecido nem de nacionalidade muito menos de cor, parou no meio e disse:

- Somente brancos né?

Senti um arrepio na espinha e vi que sempre aprendi nos livros de história, ter pena e ficar parado  não resolveria nada, isso não poderia acontecer, corri em sua direção, peguei em sua mão e disse:

- Jambo!

Ofereci lugar ao meu lado para ele, depois disso Jô tornou-se umas das melhores companhias quenianas e além disso, durante a minha estadia no Quênia, nunca mais o vi sem um sorriso no rosto.

Chegando em Machados seguimos para nosso sub-campo para montar as barracas, formigas não foram problemas em nenhuma momento porem espinhos fizeram sua parte, Leandro que o diga, acabou sendo pego surpresa, sobreviveu e isso bastou.

Valter, o portuga que se tornou um grande amigão se aproximou pela primeira vez mostrando ser naturalizado com as girias brasileiras:

- Iae “cara”, cadê a “galera” do Brasil? tudo fish?

Eu não pude conter o riso, ele já estava naturalizado brasileiro quando começou a amizade, assim acabou pegando o apelido internacional de Smile Face, por que até dormindo ele continuava a sorrir.

Valter e todos os outros portugueses se tornaram amizades super importantes para nós, em menos de três dias eu estava como um português e Valter como um brasileiro suburbano criado na favela.

- o pá, bom dia, cadê as gajas boas, vai ser gira a run, hoje vai ser fish.

- Fala seu vagabundo, está por aí de bobeira só na sacanagem né? seu safadão, zé banana.

Juro que tentei ser menos abusivo ensinando as gírias, porem era a única coisa que ele queria saber.

Na primeira noite em Machakos foi servido um jantar de recepção, a base de Ugali(uma espécie de bolo de farinha), molho e carne de cordeiro, meu reino por um bom arroz com feijão e um pedaço de costela.

Um violão, uma fogueira e algumas canções escoteiras encerraram nossa primeira noite em Machakos, a aventura já tinha começado, eu já estava na África e não tinha me dado conta.

As imagens estao acabando, depois somente fotos

foi a edição, aindo to perdido e não quero enrolar com o vídeos

Bju me clika

Bom,  eu havia prometido publicar e agora começo a tarefa árdua de colocar no papel tudo que passei nessa experiência de vida.

Ta meio difícil organizar os pensamentos, então vou escrevendo aos poucos de acordo com os fatos.

READY GO

A minha viagem para o Quênia começou desde o dia em que pisei em São Paulo dois dias antes do vôo para a África do Sul,  o que vive nesses dois dias sejam desnecessários para os demais, por outro lado para mim foi super legal porque pude conhecer muitos pioneiros em uma confraternização.

Aeroporto de Guarulhos, me despedi de minha tia e meus primos, liguei para os meu pais dando adeus pensando que nunca mais seria o mesmo e isso começou assim que entrei em um avião que passaria mais de 9 horas sobrevoando o oceano.

Mesmo descendo na primeira escala que foi em Joanesburgo na África do Sul, não acreditava que estava fora do Brasil, continuava falando em português. Comprei um refri (quebrei o jejum de 6 meses) e um muffin que me custaram 6 dólares porém quem pediu foi meu amigo Rauly, depois fiquei um belo tempo ocioso até o próximo destino que seria Nairobi.

Após seis horas esperando no saguão de trânsito internacional e mais seis voando até Nairobi cheguei ao destino que iria mudar completamente a minha forma de ver o mundo.

Na noite em que chegamos fomos recebidos por escoteiros locais que nos conduziram até o campo de Rowallan onde seria o acampamento porém, antes de chegar é preciso passar pela maior favela da áfrica: Kibera. As imagens vistas pela janela de uma van que dirige na mão direita mostravam o que a tv e os filmes estimulam, violência e corrupção. A polícia fazia uma espécie de fiscalização, onde pessoas são revistadas deitadas no chão e os policiais usam armas de grande porte, qualquer descuido pode ser fatal.

Ao chegar em Rowallan muito tarde da noite, senti frio, muito frio, ao contrário de tudo que ouvi ao me preparar para minha viagem, “leva repelente, lá é muito quente….” na primeira noite dormi congelando, tenho quase certeza que os mosquitos não apareceram por causa do frio.

Na manhã seguinte foi dada a abertura oficial do 13º Rover Moot, o evento único para quem acredita que o escotismo pode ser a melhor forma de promover uma fraternidade mundial. A festa teve abertura com a presença do presidente do Quênia, muitas apresentações e para finalizar, uma baita sonzeira misturando todos países e cores em uma festa super animada.

E pra variar minha camera deu pau no 3 dia, mas deu pra filmar alguma coisa, por enquanto é isso.

to de volta, bju me clika

Maroca

Creio que muitos dos internautas ja sabem desse novo meio de utilização da rede, onde uma pessoa ou personagem expoe sua opiniao, comenta sobre algum assunto atual ou sobre sua profissao.

Nada melhor do que fazer um vlog para voce entender né?

le it go

Bju me clika

Creio que este pode ser o último post antes da minha viagem, deixo para voces um dos melhores que já assiti na minha life man, com direção de Edu Ramos e Reinaldo Pinheiro, este último foi o diretor do longa Nossa vida não cabe num opala, último filme com a participação de Dercy Gonçalves. Mais um motivo para voce assistir o curta e depois o longa :D

Sinopse = Uma família humilde recebe um verdadeiro presente de grego: um carro de luxo, que não pode ser vendido por dois anos. Para piorar a situação, ninguém sabe dirigir. O tempo passa, e o automóvel acaba tendo usos bastante inusitados…

Obs: este é apenas um teaser do curta, voce assisti-lo clicando aqui

Bju me clika

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