Ninguém entende os jovens

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Não importa o que aconteceu, ou seja, o fim. Mas sim o meio que se deu o fim, eles dizem ser poetas, loucos, vadios, escritores das estrelas. Ocupam os espaços públicos com pichações desastrosas, declarando amor aos devaneios de uma juventude apaixonada.

E o que eu quero dizer com tudo isso? Na verdade eu não sei por onde terminar.

Vivemos um momento de protagonismo juvenil em que todas as causas da vida social acabam desembocando no mesmo canal, as redes sociais.

Por um simples momento o que é para ser uma causa de transformação vira mais um evento de selfies marcando presença com pessoas que as vezes nem se conhecem.

As músicas que circundam a juventude não estimulam nada além de sexo e curtição, mas daquelas bregas mesmo, sem compromisso com o dia seguinte, com o trabalho ou com a responsa de quem precisa ajudar em casa.

Quando eles decidem se comunicar, aí sim, é o fim de uma era que atingia o ápice da comunicação 360 graus, onde poderíamos trocar e compartilhar idéias diferentes para cada meio digital social.

O fim deste meu triste relato está em saber que o acúmulo de palavras lidas por um jovem através das redes sociais chega a uma media de vinte e duas páginas, mas o que ele escreve não se compara a uma página de alfabetização.

Os jovens merecem seu espaço, mas um em que nós possamos nos entender.   

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Doutor em gambiarra

Começou muito cedo neste ofício, quando criança foi instruído pelo vizinho que chamava de tio,  a fazer moringas de água com garrafas de guarana Dolly e assim ter água gelada sempre. Com o avanço da economia começou a congelar as pet’s, depois batia o gelo e fazia uns frozen para as visitas.

Amassava restos de sabonetes para criar um novo, multicolorido, futurista. Com a pirataria virtual fez uma boate na garagem utilizando os reflexos do lado metálico dos cd’s inovando o conceito de apenas um bolinho simples….

festa pobre

Estendeu à casa inteira as tendências da moda reciclável , o que o tornou em um acumulador de porcarias, e para dar utilidades a todas elas, começou a  sua reutilização em massaPara o cão da família que misturava o que havia de mais nobre do Tibet (Lhasa apso) com o que havia de mais esquisito do bar do Bituca (vira lata), Farofa ganhou uma coleira com tampinhas e uma guia nova rendada com fios de telefone, um charme, somente quem vivenciou a estadia de Coco Channel na terra poderia entender.

 

Á mãe resolveu sofisticar a cozinha transformando em Tupperware as embalagens de margarinas, latas de Pomarola e potes de sorvetes em utensílios para o lar, coisa de dar inveja na cozinha de Palmirinha e Ana Maria Braga juntos. Um luxo só!
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Junto do irmão  mais novo reparou tudo que estava com defeito no lar, nas dobradiças usou graxa, nas telhas usou pedaços de guarda-roupa velho e nos buracos dos vidros usou durex, isso é que é ser moderno. Praticamente uma aula para se tornar carnavalesco na NOSSA PRESENÇA.

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A irmã que estava na idade em que os hormônios falam mais alto, ensinou a maior gambiarra de todas, esta não precisava de materiais  velhos, fios de cobre,  garrafas de guaraná dolly ou até mesmo acompanhar as tendências europeias, era antiga, vanguardista e ao mesmo atualíssima, era a Mentira. Utilizando-se dela, a irmã mantinha um relacionamento com dois rapazes ao mesmo tempo, enquanto um paparicava com mimos, o outro era bom na pegada, sem pressa ia atualizando seu caderno de falsidade para que um não desse margem à existência do outro. O irmão maravilhado com a nova descoberta, só pensava na oportunidade que iria aplicar a técnica que era um compilado de tudo que já havia feito na vida.

E o pai? Essa família não tem um pai? Tem, e o mesmo ouvia atento durante o jantar, utilizando as travessas novas feitas com material reutilizável, as histórias que envolviam: reparação, inovação e o cachorro estilo Coco Channel.

– E onde você aprendeu tudo isso meu filho?

– Com o nosso vizinho, ele vem todas as tardes conversar com a mamãe no quarto, antes de ir embora me ensina a consertar as coisas.

Em um silêncio infernal, a irmã ria por dentro: Mentiu melhor que eu!

Não cabe descrever o restantes dos fatos mas, a unica gambiarra que se manteve inteira foi o lustre de copo descartável na sala de jantar.

Thiago_Maroca