Tchau 2014, desculpa qualquer coisa

foto catedral por thiago maroca

É sempre assim, tudo termina com um desculpa qualquer coisa!  

Deveria ser mais fácil, mas na despedida é importante deixar claro que talvez você tenha feito algo errado, para  não deixar passar batido e nem deixar ninguém magoado, finaliza com:

– Tchau, desculpa qualquer coisa.

Quem de fato se importa com um desculpa qualquer coisa? Já pensou se a mina te diz:

– Você broxou,eu vou indo, desculpa qualquer coisa.

E imagina você ouvir isso no restaurante:

– Hoje não tem comida, desculpa qualquer coisa.

Fico pensando na superação de desculpas que damos toda vez que dizemos desculpa qualquer coisa. Mas é isso mesmo, o ano passou e de repente a casa tá cheia de primos, uma bagunça só, e você se prepara para mais um ano de luta diária com a promessa de qua as coisas deem certo desta vez, quem sabe um carro novo, emprego novo, tudo novo pois afinal é ano novo.

Minha sugestão: deixe de fato as coisas velhas no ano que passa. Desculpas velhas, manias velhas, fofocas velhas, preguiça velha, falsidade velha, vamos de fato sermos novos.

 

Feliz 2015 e Desculpa qualquer coisa!

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Quando começa a mudança (por revolução)

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Lena, de Helena mesmo, simples e sem historinhas, diferente de Chandele, Jujuba ou Meia noite, todos esses apelidos criados a partir de uma conversa na saída do colégio, um esconde-esconde na rua e um pega a bola.

Lena tinha acabado de mudar-se, estava fazendo um churrasco para comemorar a sua nova casa, ia morar com o irmão sob supervisão da mãe.

Lena tem muitos sonhos, ama as cores, viciada em pessoas, adora música e não sabe cozinhar mas decidiu organizar um evento em sua nova casa. Ninguém havia chegado, o irmão foi comprar gelo, a casa ainda estava vazia, a mudança só chegava na segunda.

Mesmo sem saber acender o fogo, temperar a carne e abanar, Lena começou sua aventura ao preparar uma lingüiça só a esqueceu de desenrolá-la do pano. Fez fogo, no pano. Lena desesperou-se, lembrou da cena que a moça pegava fogo no circo, mas era pra valer, poderia ser um indicio de um desastre, um incêndio. Não era nada demais, apenas um pano pegando fogo, pegou e o arremessou muro afora.

– Oh de casa!

Lena, chamou mas ninguém aparecia, de cima do muro viu a luz de fora acesa, seu “churrasco” estava no capo do carro do vizinho, insistiu,’’ mas nada.

– Oh de casa!

Imaginou quem poderia morar naquela casa, devia ser um velho daqueles bem ranzinza cheio de tics ou então um alcoólatra, vai saber.

Lena enquanto chamava o vizinho pensou no que estaria prestes a se tornar, pela primeira vez havia tomado uma decisão sem ajuda de ninguém, decidiu que precisava de um canto seu, uma vida, um coração. O coração não precisava ter pressa, a vida se encarregaria disso com o tempo.

-Oh de casa!

Um rosto coberto pela fumaça do churrasco, uma voz masculina enfurecida, a porta abre, um diálogo sem nexo, um rosto lindo, a procura, o coração. Lena não conseguia mais processar o que o vizinho falava, e como ele falava.