Tchau 2014, desculpa qualquer coisa

foto catedral por thiago maroca

É sempre assim, tudo termina com um desculpa qualquer coisa!  

Deveria ser mais fácil, mas na despedida é importante deixar claro que talvez você tenha feito algo errado, para  não deixar passar batido e nem deixar ninguém magoado, finaliza com:

– Tchau, desculpa qualquer coisa.

Quem de fato se importa com um desculpa qualquer coisa? Já pensou se a mina te diz:

– Você broxou,eu vou indo, desculpa qualquer coisa.

E imagina você ouvir isso no restaurante:

– Hoje não tem comida, desculpa qualquer coisa.

Fico pensando na superação de desculpas que damos toda vez que dizemos desculpa qualquer coisa. Mas é isso mesmo, o ano passou e de repente a casa tá cheia de primos, uma bagunça só, e você se prepara para mais um ano de luta diária com a promessa de qua as coisas deem certo desta vez, quem sabe um carro novo, emprego novo, tudo novo pois afinal é ano novo.

Minha sugestão: deixe de fato as coisas velhas no ano que passa. Desculpas velhas, manias velhas, fofocas velhas, preguiça velha, falsidade velha, vamos de fato sermos novos.

 

Feliz 2015 e Desculpa qualquer coisa!

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Minha primeira vez em um puteiro

mulher e vinho

Ainda eram 22h35, a rua estava vazia. Luzes piscavam na esquina. Quatro seguranças, um ficava  no estacionamento ao lado da casa. Demoramos para entrar, nosso contato não tinha chegado.
– Cara, vai dar merda, vamo sair fora!
– Relaxa! Nunca te meti em enrascada.
Paulo, o Paulinho, uma mistura de “O Grande Mentecapto”, de Fernando Sabino, com Augustinho Carrara, da Grande Família. Mas isso não importa, mesmo que cheirasse a furada eu saia ileso sempre. Não sei como ele consegue, mas até aquele momento eu tava morrendo de medo.
– Velho, que lugar é esse?
– Relaxa muleque! Confia. A gente precisa fechar esse documentário e aqui tem a imagem que a gente precisa.
– A gente baixa na net. Faz uma cena de mentirinha lá em casa…
– Porra nenhuma! Vive falando de falta de aventura, que precisar fazer algo diferente, desafiador…
– Pois é, mas quero um desafio sem nenhum travesti apontando uma pistola 45mm na minha direção!
– Aquilo é passado.
– Aquele passado foi ontem e eu ainda tô todo arrepiado, mas o que você falou pra ela ficar daquele jeito?
– O contato chegou. Fica quieto. Deixa comigo.
Um carro grande, esportivo, branco tocando um cantor brega da atualidade derrapou em nossa frente. Um carro cheio de luz de neon por dentro. Que mau gosto.
– Fala seu viado!
– Iae Cornão. Paulinho você é foda!
– Bora entrar lá. Hoje é aniversário dela! Whyski liberado.
Acompanhado do Paulinho, e do seu amigo “Cornão” entramos na casa, um lugar no meio do nada, mas muito bem freqüentado. O único carro 1.0 e sem alarme era o meu e a gasolina estava na reserva.
Dentro da casa ao som de “breganejo”, as meninas da casa desfilavam em seus vestidos justos, nem preciso dizer curtos. Entres sorrisos e drinques pelo salão fui apresentado a Rosana, a dona da casa, uma mulher de 1,80cm, pesando uns 80 quilos muito bem distribuídos, usava um vestido verde com brilhantes acompanhada de uma taça de vinho, sempre.
– Você é amigo do Paulinho? É amigo meu também.
Rosana me beijou no rosto, me apresentou suas filhas e sua casa. Me ofereci para tirar algumas fotos da festa em troca de algumas cenas para um documentário, respeitando  quem não quisesse aparecer. Ela me levou ao seu quarto e pediu que eu tirasse uma foto ao lado de sua santa protetora: Nossa Senhora Aparecida.
Rosana topou fazer algumas cenas sem que mostrasse o rosto dos clientes e de suas filhas, uma vez que já foram expulsas de uma sociedade que se diz conservadora, mas que não entende as alternativas da vida, que as fazem estar ali, vendendo o corpo, deitando com pais de família, sendo psicólogas e ouvintes de um monte de sonhos despedaçados, em troca de uma vida monótona, sem desafios, com dívidas triviais, a base de emprego público, sem muitas expectativas.
Rosana nos serviu pessoalmente, sentou em nossa mesa e fez questão de brindar seu aniversário conosco e com sua família. Sim, sua família. Que a respeita e a ama mesmo sabendo que a escolha de Rosana não serve para meia dúzia de intelectuais do tédio.
Rosana me respeitou nas quatro horas em que permaneci em sua casa. Suas filhas e seus clientes foram educados.
– Sem droga e sem briga. Minha casa é pra se divertir.
Despedi-me de Rosana à meia noite. Paulinho já estava com meia garrafa de whyski vazia.
– Eu vou indo logo atrás de você.
– Fica tranqüilo. Paulinho já é da casa, disse Rosana.
– Eu nunca vim aqui Rosana!
– Deixa de ser bobo. Seu amigo tem que saber. Na última vez ele fez strip-teaser e tudo mais…
– Melhor ir…Não suportaria ver o Paulinho fazendo strip-teaser (risos).

obs: retirei a imagem do blog depoemaecoracao.blogspot.com