Paixão brasileira: Nudes e Fake news

O dia não estava bom. A mina terminou o namoro antes das 8 da manhã, não deixou café pronto como de costume e olha que na noite anterior a “chinelada” foi boa. Mas o que açoitava os pensamentos daquela mulher solteira beirando os 40 anos eram os hábitos domésticos de seu namorido. Ela dormia durante a semana por lá e ganhava uma hora a mais de sono por ser perto de seu emprego, de secretária da floricultura. Em cada noite dormida, tinha que fazer o café, o que não a incomodava pois também tomava. O difícil era o chuveiro frio que ele nunca consertava, e olha que era o ofício dele.

– Tô indo!

– Deixou café pronto?

– Sim, mas tô indo pra sempre!

Bateu a porta.

Geraldo ficou em dúvida sobre o que ouviu, mas em 30 segundos quando Eleonora não voltou para pegar alguma coisa que havia esquecido, se deu conta de que tinha algo errado naquela frase. Na verdade o que aconteceu foi um espetáculo da mais pura sinceridade. Enquanto tomava o café usando meias bicolores, pensava no que poderia ter acontecido para ela tomar aquela decisão, imaginou que ela estava cansada de namorar, queria algo sério, casamento!

Pra Geraldo, estava sério até demais, tinha sobrevivido até aqueles 41 anos sem nunca ter colocado uma reles aliança em seu dedo. Se fosse pra viver a solteirisse, que fosse.

– Ela voltou com aquele ex!

Não havia outra alternativa, por que ela iria deixar aquela vida de mordomia que levava? Cama com um amor peludinho, Chinelada duas vezes por semana e uma vida de rainha naquela casa (empregada também). Com a manhã de folga, resolveu fuçar na internet a vida da Ex e do ex dela. Ali tinha coisa!

Em tempos modernos, com a moderação de perfil, não conseguiu ver nada. Criou um perfil feminino, mandou emoji no direct e ainda chamou de crush. Do outro lado da tela, um ex, que estava carente respondeu com um nudes acrescido de um emoji de coração.

– Que merda é essa? (Geraldo se passando por Tifany)

– Meu corpo desejando o seu, gata. (Ex se passando por ele mesmo)

Em questão de minutos a verdade havia sido revelada, as ofensas encheram o canal sobrando elogios ao contrário. Em menos de uma hora estavam os dois na sala do delegado. Um acusando o outro de falsidade ideológica e o outro por adultério ( ao menos cúmplice) . Para resolver o delegado mandou ligar para Eleonora para saber o que fazer com os dois.

– Prenda os dois, seu delegado! Um me traía e o outro queria uma empregada de graça, eu cansei. isso não é vida!

Delegado acatou e mandou pra cela os dois por uma noite para refletirem sobre suas atitudes e deixarem Eleonora em paz. Noite fria,  cela sem colchão e cobertor…

– Eu tô com frio, posso te abraçar? Disse o Ex.

A noite iria ser longa mas para Eleonora iria ser de descanso, com os pés para cima, vendo tv e tomando café.

Maldito cheiro de café (por amor)

images cafe

Ainda estava deitado, já passava das dez, se soubesse o que iria acontecer nas próximas horas talvez não tivesse acordado e ir ver quem chamava na porta.

– Oh de casa!

Eu deveria saber que quando uma mulher chama na porta as coisas não tendem a serem boas, podem ser testemunhas de jeová, vendedoras de avon ou uma nova vizinha.

– Oh de casa!

Se eu ficar aqui quieto ela desiste e vai embora, assim eu continuo deitado, com meu universo intacto, nenhuma regra será alterada, como foi com a Monica. Lembro do dia em que sem querer eu deixei o chinelo no muro cair na vizinha. A  casa ao lado tem um campo de energia que repele os inquilinos em pouco meses, educadamente fui  pedir meu chinelo de volta e só me lembro que  acordei com um cheiro de café, na contraluz uma uma camisa folgada só de calcinha fumava um hollywood, o cheiro da nicotina e sua fumaça me fizeram esquecer a asma, vi que poderia começar uma vida e que isso seria muito bom.

Monica, toda Monica tende a ser neurótica, acredite! Me serviu um café preto com torradas penduradas na ponta de uma faca apontada pra mim.

– Eu não vou ser mais uma.

– Do que você ta falando¿

– Onde vai colocar minha foto¿ no muro¿

– hãm¿

– Seu filho da puta!

Arremessou o quadro de minha mãe quando jovem e levou a única camisa do legião que me restou depois que a Débora levou a mobília, os cachorros mas deixou o café pronto.

 

– Oh de casa!

Ela não desistiu, quem será que não percebe que não tem ninguém em casa e vai embora¿

– Oh de casa!

Saco! Fumaça! Aí meu Deus, é a Monica!

-Monica¿

– Helena, mas pode chamar de Lena, somos vizinhos, to mudando hoje.

Ficou quente

– Que fumaça é essa¿

– Voce é surdo?

– Que troço é esse queimando em cima do meu carro?

– Isso é…. quer dizer… era pra ser um churrasco.

– Sim mas o que eu, meu carro temos a ver com seu churrasco? Isso é carne?

– Lingüiça, tá servido? Se bem que essa daí passou do ponto.

– Do ponto e do muro, deixa eu jogar uma água.

E aquilo não era linguiça, era uma toalha.

– Isso é uma toalha?

– Será?

– É uma toalha!

– Vem cá, voce nao viu que eu nao atendi na primeira vez, porque nao apagou isso assim que viu¿

– Isso é invasão de domicílio.

– Mas se eu nao estivesse em casa?

– Deixando a luz de fora acesa?

– Aprendi isso com minha mãe.

-Eu aprendi que não devemos deixar a visita esperando.

-Mas você não é visita você é minha vizinha e deixou algo pegando fogo em cima do meu carro

– Prazer eu sou Helena, mas pode me chamar de Lena.

– Você já disse isso.

E disse mais umas trinta vezes naquele dia depois de duas garrafas de vinho, uma partida de FIFA soccer e um resto de fandangos como aperitivo.

Ela é louca e linda, ainda não levantei, tomara que não saiba fazer café.