Como é que chama aquele menino?

Thiago Maroca

– Jesus!

– O filho da Maria?

– É.

– Irmão do Tiago?

– Eh mulher!

Ninguém acreditou, como podia, logo o filho do José, o carpinteiro, homem calado, de pouca conversa na vila, ter um filho danado como aquele e ainda por cima, inventador de histórias.

– Mulher, tu imagina que ele agora anda conversando com os animais, e o que é pior é que os bicho fica tudo calado, foi- se a época da Galiléia de meus avós.

– Minha irmã! ontem mesmo ele tava no rio com os meninos , mergulhou e ficou lá no fundo por quase dez minutos, quando Maria chegou aperreada, deu um puxão e perguntou o que ele tava fazendo , Jesus respondeu que tava contemplando o universo, vê se pode.

Um menino de apenas sete anos com uma criatividade incrível. Maria conversava com José, enquanto servia o café da tarde.

– Aí José, tô preocupada com Jesus, vive fazendo umas esquisitices na vila, tenho medo do futuro desse menino.

– Calma Maria, esse menino tem jeito, acho que ele vai ser artista. Num sei… mas esse menino vai fazer história.

E fez. Parabéns Jesus! Que a mensagem a ser repassada seja sempre o amor.

Arrasou no natal, o mundo para pra agradecer a você.

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Letícia só queria ter filhos

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Letícia acordou cedo naquele dia, era feriado, não precisava sair da cama pra constatar que haveria nada pra fazer, não conseguiu voltar a dormir, ficou lembrando-se do sonho que havia tido minutos antes de acordar, a história das meias vermelhas, uma história que sua vo lhe contava em todo natal, era sobre uma menina que só andava com meias vermelhas até o joelho na esperança de sua mãe lhe reencontrar, a menina usava meias vermelhas no dia em que se perdeu  da mãe, acreditava que mesmo que em uma multidão se a mãe andasse olhando para o chão veria as meias e acharia a sua filha, toda véspera de natal a menina ia para a feira, o mercado e as ruas comerciais afim de alimentar um mínimo de esperança de sua mãe lhe achar em meio a tantas pessoas. Letícia se viu naquela história, mas no seu caso ela era a mãe.

Letícia sempre sonhou com o dia que iria ser mãe, brincava com as bonecas e lhes dava nomes, criou cachorros dentro de casa, cuidou do irmão mais novo com muito zelo, ouviu tudo que os pais haviam lhe orientado.

– Filho custa caro.

– Você ainda nem terminou os estudos.

– Um filho interrompe sua juventude.

– O mundo de hoje não é como antigamente.

Com tanta recomendação Letícia resolveu esperar, queria ter filhos, mas queria tudo do bom e do melhor para eles, queria pode oferecer um mundo justo e menos desigual, decidiu esperar.

O tempo não tem compaixão, 20 anos haviam se passado e Letícia ainda não tinha alguém para preparar o café ou alguém para ralhar sobre jogar bola na sala, Letícia estava só.

Se pudesse teria voltado no tempo e teria experimentado uma vida sem muitas vitórias porém teria um filho do qual pudesse amar incondicionalmente e exigir que não deixasse de usar meias vermelhas para que assim não se perdesse dela.