Desgraça em família

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Lá vinha Joaquim chegando para menos um dia a contar para aposentadoria, já que  a estabilidade do serviço público não substituía a frustração de não ter feito aquilo que lhe deu vontade: ter sido chefe de cozinha. Mas  não podia reclamar, viajou, casou, comprou uma boa casa, fez empréstimo, pagou escola em atraso, pegou outro empréstimo, a sogra morou junto com ele por um ano e depois disso voltou a acreditar em Deus, mesmo que ele (Deus) não tenha ouvido seu pedido de leva-la logo para o purgatório, convenceu a cobra de morar com a outra filha que por sinal era mais nova, mais gostosa e mais divertida. Insuportavelmente feliz.

De tanto amaldiçoar a sogra cresceu a preocupação de que sua amada mãezinha,  dona Neuza, pudesse estar sendo hostilizada por um ebó vindo de sua cunhada, Débora , mulher do Toninho, seu único irmão, mais novo e pilantra de marca maior.

Toninho ao 30 anos possuía um currículo invejável, agremiou vários troféus, pegou mulher bandida, advogada, policial, carcereira, por fim, arriscou promotora pública mas não rolou. Tinha um relacionamento sério de idas e vindas com Débora, uma biscate que o amava mas o usurpava sempre que podia.  A única admiração de Toninho era Joaquim, seu irmão. Um de pai de família exemplar, funcionário serio, com exceção da mulher megera que arrumou, lhe deu dois filhos mas não conseguiu se livrar do mau hálito, Toninho demonstrava o desprezo pela cunhada sempre lhe oferecendo Halls.

– Essa bala tem um hálito refrescante

– …..

Com silêncio, a cunhada o desprezava, só aturava e recebia sua visita por respeito ao marido e a mãe que estava doente.

Naquele dia  Joaquim chegou no serviço com a cara de poucos amigos, a mulher deu-lhe uma bronca sobre o atraso do colégio, com bafo e tudo. Ligou o computador, olhou as noticias e a críticas sobre o Palmeiras. foi fumar por uma hora no estacionamento da empresa. Ao regressar:

– Caralho Joaquim, na próxima leva essa merda de celular contigo! Disse o Bezerra, seu parceiro de mesa.

– Seu irmão ligou umas vinte vezes.

Mamãe. Só podia ser. Ligou desesperado para o irmão, sem respirar, Toninho atendeu aos prantos.

– Uma desgraça, Joaquim, na nossa família.

– Porra Toninho, eu tentei fazer de tudo mas a mamãe já estava doente.

Silêncio mortal

– Não foi a mãe.

– quem foi?

– A Débora.

-Graças a deus!

-Devia  ter sido a tua, aquela boca podre.

-Devia mesmo.

Pensou alto.

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A conta do bar

Para quem não sabe aonde vai, qualquer direção basta. E para o Reinaldo, o caminho do buteco lhe bastava.
Religiosamente as 11h45, ele adentrava, perguntava o que havia de comida e abria sua primeira cerveja do dia.
– Oh Juca! Já vai começar o jornal,  liga a tv aí.
Seu Juca considerava Reinaldo como peça decorativa do bar, chegava e saia na mesma hora, mas o seu diferencial era os comentários sobre as notícias da televisão.
– Tu viu essa? Vão aumentar o preço da gasolina pra R$3,50. O preço da Skol lata.

Isso não era nada, a distância era medida em futebol.
– 20 quilômetros de engarrafamento? Dá pra ir e voltar a pé pra ver minha Portuguesa jogar.

E o escândalo sobre a falta de água?

– Poxa Juca,  são necessários 2 bilhões de reais para obra de transposição. Quanto daria isso em cerveja?

Essa conta ainda está sendo calculada acompanhada de uma cerveja gelada com uma porção de frango à passarinho.

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