Tchau 2014, desculpa qualquer coisa

foto catedral por thiago maroca

É sempre assim, tudo termina com um desculpa qualquer coisa!  

Deveria ser mais fácil, mas na despedida é importante deixar claro que talvez você tenha feito algo errado, para  não deixar passar batido e nem deixar ninguém magoado, finaliza com:

– Tchau, desculpa qualquer coisa.

Quem de fato se importa com um desculpa qualquer coisa? Já pensou se a mina te diz:

– Você broxou,eu vou indo, desculpa qualquer coisa.

E imagina você ouvir isso no restaurante:

– Hoje não tem comida, desculpa qualquer coisa.

Fico pensando na superação de desculpas que damos toda vez que dizemos desculpa qualquer coisa. Mas é isso mesmo, o ano passou e de repente a casa tá cheia de primos, uma bagunça só, e você se prepara para mais um ano de luta diária com a promessa de qua as coisas deem certo desta vez, quem sabe um carro novo, emprego novo, tudo novo pois afinal é ano novo.

Minha sugestão: deixe de fato as coisas velhas no ano que passa. Desculpas velhas, manias velhas, fofocas velhas, preguiça velha, falsidade velha, vamos de fato sermos novos.

 

Feliz 2015 e Desculpa qualquer coisa!

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Opositor à oposição

camarao - thiago maroca

Pedro era chamado de Gue, o por que basta usar um pouco de sua imaginação, de Guevara, Mariguela e por aí vai. Pedro ou melhor, Gue, era um comunista, socialista contra o desenvolvimento tecnológico pois, acaba com o  emprego de massa das fábricas.

Gue nunca soube por que ninguém conseguia compreende-lo. Ele possuía um defeito muito simples: era o oposto da situação atual e isso bagunçava tudo. Manteve-se como esquerdista socialista apoiando partido pequeno até que, 20 anos depois viu seu mentor virar presidente. Comemorou, bebeu coca cola, vestiu sua calça da Diesel, Botou sua camisa Polo Half Laren, calçou seu mocassim e foi para a posse do presidente popular.

Naquele mesmo dia saiu com pensamentos capitalistas, entendendo o que era propriedade privada, formação de capital e consumo excessivo. Adorou a idéia de medir seu status através de objetos e não de intelectualidade, pensar era coisa de esquerda, direita é ostentação.
Começou a cursar economia na federal, curso com muita teoria e muito cálculo mas, as garotas eram gatas, farra era coisa da direita.

No restaurante universitário encontrou seu amigo de infância Luizinho, um tremendo de um sacana.

– Pedro Guevara! A luta continua, vamos enfrentar o inimigo de frente, a nossa fome.

– Debochado como sempre né Luizinho? Agora sou liberal.

– O mesmo que viado.

– Acredito que o capital tem mais benefícios e mais qualidade de vida.

– Qualidade é pegar todas as minas da enfermagem.

Enquanto Luizinho falava, Pedro Guevara seguia o rebolado da aluna moçambicana intercambista, sentido ao restaurante vegetariano.

– Que sabor tem carne de soja?

– O mesmo do comunismo. Disse Luizinho

– Por isso eu sempre acreditei nas idéias de Marx, vamos almoçar no vegetariano?

– Num viaja! Você é carnívoro e olha que hoje tem bife de porco.

– Tô fora! Vou comer vegetais.

Sendo liberal, socialista, comunista, cristão ortodoxo judeu, Pedro acima de toda oposição em toda situação era um amante e não perdia um rebolado por nada.

– Nádia.

Luizinho quase engasgou com o bife verde, ao ouvir Nádia ser sussurrado em seu ouvido.

– O nome dela é Nádia, Luizinho. Ela é de Maputo.

– Puto to eu que quase morri com esse bafo no meu ouvido.

– Foda-se, eu vou morar na África, lá sim é que podemos fazer a diferença, aqui todo mundo é de centro, apóia o que lhe convém.

– Sei…

– África. Você sabe de onde vem a bunda das brasileiras?

– Do capital de direita, em duas parte iguais divididas pelo socialismo.

Pedro Gue era um mulherengo mas, Luizinho fazia sociologia, isso explicava tudo.

Cadê meu 13º ?

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Marcelo não disse “Olá! Em que posso servi-lo?” como de costume, também não deu um sorriso em troca. Logo ele que nunca se zanga, ele que mantém o bom humor dos funcionários pra cima hoje não queria ter  ido trabalhar.

– O que adianta você ficar assim ? Perguntou João Henrique de apenas 20 anos, trabalhava com Marcelo no restaurante há um ano e meio.

– Eu não gosto de quem não tem palavra.

– Disse que paga nessa sexta.

– Ele falou isso há duas sexta-feiras, isso é um direito nosso.

Mas todo mundo da birosca sabia que há alguns meses o velho tava mudado, e para a pior, torrando tudo que caia no caixa em bebida, jogatina e putaria. Tudo isso por que pegou a mulher (continua casado) dando pro churrasqueiro, O Agenor (continua empregado), este por vez disse que fez em forma de protesto as péssimas condições de trabalho, já pensou se a moda pega ?

Toda vez que entrava um cliente no Barriga Cheia Marcelo aproxima-se e dizia:

– Esse arroz é de ontem.

– Essa carne chegou verde aqui.

– Essa maionese foi feita sem lavar as mãos, inclusive nem vá ao banheiro, está interditado desde cedo, estou meio mal devido uma tapioca que comi hoje cedo.

– E o que tem de bom pra comer aqui? Perguntou uma mulher que não iria desistir de comer por que o preço era o melhor atrativo.

– De bom só tem o abacaxi. Isso ele não podia negar

– Tudo bem, quero dois e um suco de limão.

– Só tem um. Disse Marcelo

– Hum hum, vou chamar o gerente. Senhor! Tem como pedir dois abacaxis para mim?

– Claro, Marcelo pega o outro abacaxi na dispensa pra moça. Mandou o velho

– Só tem esse.

– Como só tem esse, ontem eu trouxe dois abacaxis pra cá, o que você fez com o outro abacaxi? Perguntou o velho

– Levei e dei como presente de casamento a minha esposa seu filho da puta.

Ninguém comeu abacaxi naquele dia.

 

Na próxima, pague o 13º em dia.