Amor de sogra

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(Este sou cortando o bolo do meu casamento)

Luciano, de tudo sabia um pouco, de gambiarra, de jogo do bicho. Sempre com uma solução criativa para tirar um amigo de alguma enrascada, principalmente quando o assunto era adultério.
Uma vez saiu de madrugada, atravessou a cidade e de lá ligou pra mulher do colega pedindo um guincho pois “os dois” estavam no prego, no meio da estrada, tudo isso enquanto o amigo corria em direção a Luciano.

Mas Luciano tinha um defeito, que não era bem defeito, era viciado em comer. Escolhia suas namoradas por linha gastronômica, seu primeiro namoro foi a Sara, filha do dono da padaria, seu Flores, durante o namoro não comeu um brioche sequer e nem colocou azeitona na empada do sogro, velho pão duro com miolo de baguete. Fim de namoro.

Durante as andanças da vida, namorou duas boleiras, uma pizzaola e a mina do crepe, ou seja, sempre comeu mal.
Almoçava todo dia na Dona Neca, uma mineira de panelas velhas que fazia um tutu e uma carne de porco frita, com direito a uma marmelada pra passar duas horas dormindo na rede.

Dona Neca tinha duas filhas, Luiza e Daniela, totalmente diferentes, Luciano sem muitos sonhos, decidiu que iria plantar suas raízes onde poderia se alimentar bem, comer era outra coisa.
Sem conhecer Daniela, que estudava fora escolheu Luiza pra namorar. Não foi preciso muito esforço, ela também não era ambiciosa, ajudava a mãe no restaurante e isso bastava.
Sem muita imaginação, casaram, Luciano foi morar na casa da sogra no mesmo dia que Daniela chegara de viagem, uma morena espetacular, alegre, festeira e com um rebolado de quebrar o coco.

A tentação era diária, não teve jeito, a maravilhosa comida da sogra de dia, e de noite comendo a cunhada maravilhosa.
O tempo passa e a novela é a mesma, típico assunto de mesa de bar, de festa de natal e batizado de guri:

– Tá vendo? Dois sem vergonha.
– Onde já se viu, ser casado com duas.
– E tudo debaixo do mesmo teto.
– E o que Dona Neca acha disso tudo ?

Na verdade Dona Neca era o pivô de todo o triângulo amoroso, Luciano era apaixonado pelo tempero da sogra, seu primeiro e único amor.

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Cadê meu 13º ?

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Marcelo não disse “Olá! Em que posso servi-lo?” como de costume, também não deu um sorriso em troca. Logo ele que nunca se zanga, ele que mantém o bom humor dos funcionários pra cima hoje não queria ter  ido trabalhar.

– O que adianta você ficar assim ? Perguntou João Henrique de apenas 20 anos, trabalhava com Marcelo no restaurante há um ano e meio.

– Eu não gosto de quem não tem palavra.

– Disse que paga nessa sexta.

– Ele falou isso há duas sexta-feiras, isso é um direito nosso.

Mas todo mundo da birosca sabia que há alguns meses o velho tava mudado, e para a pior, torrando tudo que caia no caixa em bebida, jogatina e putaria. Tudo isso por que pegou a mulher (continua casado) dando pro churrasqueiro, O Agenor (continua empregado), este por vez disse que fez em forma de protesto as péssimas condições de trabalho, já pensou se a moda pega ?

Toda vez que entrava um cliente no Barriga Cheia Marcelo aproxima-se e dizia:

– Esse arroz é de ontem.

– Essa carne chegou verde aqui.

– Essa maionese foi feita sem lavar as mãos, inclusive nem vá ao banheiro, está interditado desde cedo, estou meio mal devido uma tapioca que comi hoje cedo.

– E o que tem de bom pra comer aqui? Perguntou uma mulher que não iria desistir de comer por que o preço era o melhor atrativo.

– De bom só tem o abacaxi. Isso ele não podia negar

– Tudo bem, quero dois e um suco de limão.

– Só tem um. Disse Marcelo

– Hum hum, vou chamar o gerente. Senhor! Tem como pedir dois abacaxis para mim?

– Claro, Marcelo pega o outro abacaxi na dispensa pra moça. Mandou o velho

– Só tem esse.

– Como só tem esse, ontem eu trouxe dois abacaxis pra cá, o que você fez com o outro abacaxi? Perguntou o velho

– Levei e dei como presente de casamento a minha esposa seu filho da puta.

Ninguém comeu abacaxi naquele dia.

 

Na próxima, pague o 13º em dia.