Fazendo tudo e ao mesmo tempo nada

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Acordei cedo, de ressaca, sem bebida, dormi tarde e acordei, deu nisso. Lembrei que havia algo para concluir logo pela manhã, coisa de quem não trabalha muito mas quando pinta um freelance, precisa ser ágil, nessas épocas de vacas em dieta não podemos optar por uma vida alternativa, inclusive por que nesse mar de concreto e asfalto a única alternativa é trabalhar.
Era algo ligado à internet, mas antes conectei o celular na wi-fi de casa, visualizei as 300 mensagens de boa noite e as 100 de bom dia no Whatsapp, olhei algumas fotos no Instagram e por fim uns nudes no Snap chat.

Passei um café, requentei um pão dormido, coloquei ração para o Elvis e a Bibi que ainda estavam sonolentos, continuaram no sofá assistindo o Bom Dia Brasil.

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Liguei o notebook, abri meu email e nenhuma pista, olhei alguns spams de ofertas, precisava comprar uma cafeteira elétrica, estava fora de moda coar café. Assisti o novo clipe da Marisa Monte, li alguns artigos na Carta capital, Veja, Folha, Estadão e achei tudo parecido.
Dei uma leve espiadinha no Facebook, já eram 11h30. Me arrumei as pressas, coloquei um biscoito na mochila e saí correndo para uma reunião de almoço.

Durante o almoço.
– Você trouxe o que lhe pedi?
– Não me pediu nada.
– O relatório.
Silêncio
– Ficou fazendo o que pela manhã?
Melhor inventar uma mentira
– Nada

Não consegui.

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Carta à mulher do meu ex-amigo

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Querida cretina,

Venho parabeniza-la por conseguir nos afastar, imagine o que são 20 anos de amizade perdidos por conta de um silicone e um gemido alto dizendo que ele (ex-amigo) é bem dotado e um  insaciável amante.

Você já parou pra pensar que ele não pode conversar com você sobre futebol? Tô falando de clássicos, de copa, de técnico, de série B, de pulada de cerca na sexta a noite.
Você não tem amigas não? De tão megera, deve ter roubado os homens das outras e agora quer fazer poupança com o nosso croupier, mas saiba que nesse jogo quem perdeu foi você.

Agora é você que vai ter que aguentar a ladainha por causa do rebaixamento do Botafogo, é você que vai ficar ouvindo aquelas músicas horríveis no violão desafinado, vai ter que aguentar o mala do irmão e o resto da família em todo feriado.

Mas eu não guardo rancor de você, guardo dele. Na primeira oportunidade deixou o carteado com os amigos por um belo par de seios ( e que seios), espero que ele nunca precise de um ombro amigo, de grana emprestada, de jogar conversa fora, de um álibi, de um plano de fuga, de uma boneca inflável e nem de um advogado quando você tomar tudo que ele tem.

Amigo é amigo, e ex-amigo é filho da puta.

Ps: Gostosa!

Desgraça em família

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Lá vinha Joaquim chegando para menos um dia a contar para aposentadoria, já que  a estabilidade do serviço público não substituía a frustração de não ter feito aquilo que lhe deu vontade: ter sido chefe de cozinha. Mas  não podia reclamar, viajou, casou, comprou uma boa casa, fez empréstimo, pagou escola em atraso, pegou outro empréstimo, a sogra morou junto com ele por um ano e depois disso voltou a acreditar em Deus, mesmo que ele (Deus) não tenha ouvido seu pedido de leva-la logo para o purgatório, convenceu a cobra de morar com a outra filha que por sinal era mais nova, mais gostosa e mais divertida. Insuportavelmente feliz.

De tanto amaldiçoar a sogra cresceu a preocupação de que sua amada mãezinha,  dona Neuza, pudesse estar sendo hostilizada por um ebó vindo de sua cunhada, Débora , mulher do Toninho, seu único irmão, mais novo e pilantra de marca maior.

Toninho ao 30 anos possuía um currículo invejável, agremiou vários troféus, pegou mulher bandida, advogada, policial, carcereira, por fim, arriscou promotora pública mas não rolou. Tinha um relacionamento sério de idas e vindas com Débora, uma biscate que o amava mas o usurpava sempre que podia.  A única admiração de Toninho era Joaquim, seu irmão. Um de pai de família exemplar, funcionário serio, com exceção da mulher megera que arrumou, lhe deu dois filhos mas não conseguiu se livrar do mau hálito, Toninho demonstrava o desprezo pela cunhada sempre lhe oferecendo Halls.

– Essa bala tem um hálito refrescante

– …..

Com silêncio, a cunhada o desprezava, só aturava e recebia sua visita por respeito ao marido e a mãe que estava doente.

Naquele dia  Joaquim chegou no serviço com a cara de poucos amigos, a mulher deu-lhe uma bronca sobre o atraso do colégio, com bafo e tudo. Ligou o computador, olhou as noticias e a críticas sobre o Palmeiras. foi fumar por uma hora no estacionamento da empresa. Ao regressar:

– Caralho Joaquim, na próxima leva essa merda de celular contigo! Disse o Bezerra, seu parceiro de mesa.

– Seu irmão ligou umas vinte vezes.

Mamãe. Só podia ser. Ligou desesperado para o irmão, sem respirar, Toninho atendeu aos prantos.

– Uma desgraça, Joaquim, na nossa família.

– Porra Toninho, eu tentei fazer de tudo mas a mamãe já estava doente.

Silêncio mortal

– Não foi a mãe.

– quem foi?

– A Débora.

-Graças a deus!

-Devia  ter sido a tua, aquela boca podre.

-Devia mesmo.

Pensou alto.