Casei com o diabo

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Cida, uma senhora simpática, negra, cabelo liso, corpo bonito mas recatada, educada, fala baixo, trabalha,  não tem filhos, vive a espera de alguém ideal, um homem honesto mas que fosse bonito e goste de trabalhar.

– Bonito, Honesto e que trabalhe,só em sonho. Dizia sua vó

– Eu ainda vou encontra-lo, eu sei que ele está em algum lugar.

– Faz uma promessa.

– Promessa?

– Pra Santo Antônio,o santo casamenteiro.

Lá foi Cida acender uma vela para o santo, pediu e prometeu que nunca iria reclamar do marido que o santo lhe arrumasse, naquele mesmo dia, ficou para assistir a missa das 17h, conheceu Eusébio, o aprendiz de padre, cuidava do altar, preparava a hóstia, limpava o confessionário.

– Eusébio, vamos ao cinema?

– Hoje não posso, o padre João quer que eu arrume a sacristia.

– E amanhã?

– Tenho  que lavar a bata.

Cida desistiu, era católico demais, as últimas notícias dele eram que estava dormindo na igreja. Era bonito e honesto mas não trabalhava, ficou fora da lista. Parou de ir à missa.

Resolveu frequentar um centro espírita, Alan Kardec, mesa branca, mas morria de medo da entidade errar de médium e incorporar nela, ficava sempre de olho aberto, resolveu sair porque a coisa era séria demais.

A vó lhe pedira companhia para uma festa de criança, era dia de Cosme e Damião e o terreiro do pai Benedito estava cheio, casa de chão batido, todo mundo de branco e muita animação ao som de atabaques, Cida tinha gostado da festa e do filho do pai Benedito, Joaquim.

Não era feio, era elegante, usava um terno branco e chapéu, falava grosso, bebia e fumava. Cida não se importou, o mundo era cheio de vícios, começou a fumar também.

O namoro estava dando certo até o dia em que descobriu a profissão de seu namorado, bicheiro. O pouco que ganhava era perdido em bebida, fumo e aposta. Cida gostava de Joaquim, tinha pegada, era bom em tudo menos em aposta, não era honesto. Aproveitou enquanto pode e depois terminou, não ia dar certo, havia perdido o medo de entidade, já ensaiava uma pomba gira, as vezes um preto velho mas nada oficial, largou tudo e virou evangélica.

Resolveu frequentar uma igreja perto de casa, a avó não gostara da ideia “Crente é tudo chato, pra eles tudo é do Demônio” Ainda assim Cida estava gostando, era uma congregação nova, ministério pentecostal renovado luterano, ao comando do pastor Getulio o culto rolava, coisa calma, igreja vazia, era contemporânea demais, o povo gosta de show, campanha, desobsessao.

Cida tinha gostado do pastor, apesar de feio. Sabia que seria impossível encontrar tantas qualidades num homem só. Durante um culto levantou a mão e pediu para dar um testemunho, agradeceu, deu fim no cigarro e outras coisas. O culto ficou animado, teve dízimo e muita música. O pastor não tirava o olho da irmã, viu potencial.

No culto seguinte Getulio resolveu fazer uma benção coletiva, ficava de frente para o irmão e dizia:

– Senhor, entra na vida desta criatura.

Rolava um aleluia e era a vez do próximo, na vez de Cida, ela lhe piscou de longe, ao tocar sua cabeça, Cida pigarreou, foi a deixa.

– Te achei demônio, você tá atrasando a vida dela, deixando ela sentir azia e dor de dente….

Foi um show completo, se Joaquim tivesse visto casaria na hora, usou um pouco de cada entidade, pediu cerveja, doces e um cigarro, não foi atendida, o demônio saiu e a igreja virou um sucesso, satanás só descia em Cida, a igreja era renovada.

Casaram, tiveram filhos, a igreja virou igrejas e o pastor Getúlio um ídolo. Na mesa do café, enquanto servia o café ao seu digníssimo esposo

– Cida, você não precisa pedir cigarro toda vez.

– Nem você me bater.

Cida não largou o cigarro e nem Joaquim.

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Palavras Reunidas: Teatro de Lágrimas

teatro de lágrimas

Realidade ou lucidez

Pensei em falar,

 mas na hora eu engasguei.

tentei expressar,

 dizer até o que eu não sei.

Poder talvez lhe encontrar e

as emoções não demonstrar.

Mais uma vez recomeçar,

poder sentir sem esperar,sua decisão, o meu fim.

Mas por que é tão ruim tentar tirar você de mim,

Criar coragem e persistir,

dizer  verdades que escondi.

Estarei louco se eu disser que,

não penso em você,

na insanidade quero estar,

se eu pedir para me esquecer.

Dias tristes (apto. 106)

Portas fechadas, tentei ligar,

você fingiu não estar lá.

Passei meus dias a procurar,

 te encontrar em algum lugar.

Tantas chances que você me prometeu

e aquela que eu nunca tive,

Me diga, quem não sofreu?

Quem não viveu, seus dias tristes?

O vazio e a solidão tomam conta de mim.

Sinto frio e a incompreensão,

por que você não está aqui?

Todos os detalhes nunca são demais,

para quem procura a perfeição.

Todos os meus dias são sempre iguais,

quero achar uma solução.

Querendo apenas uma explicação,

mas sem lembrar o quanto eu sofri.

Vivendo, em busca da razão,

para resgatar aquela vida que eu perdi.

Tantas chances que você me prometeu

e aquela que eu nunca tive,

Me diga quem não sofreu?

Quem não viveu seus dias tristes?

Metade

Palavras que eu ainda não falei,

 destinos a se encontrar,

me escondo por que tenho medo de fracassar.

Os dias em que chorei,

confesso que eu precisei,

sozinho eu tentei minha vida recomeçar.

Foi difícil, eu sei, mas acho que desta vez eu consegui.

Mas quando vejo, ainda tem metade de mim em ti.

Penso que já passou,

mas sempre estou aqui no mesmo lugar.

Finjo não me importar, sofrer e aceitar, me acostumar.

 Todos meus lamentos, levados pelo tempo,

 só para lembrar.

Perdido em pensamentos,

são tantos sentimentos.

Não há nada que eu possa tentar?

Não há nada que eu possa falar?

Não há nada que eu possa dizer para você poder voltar?

 Penso que já passou, mas sempre estou no mesmo lugar.

Finjo não me importar, sofrer e aceitar, me acostumar.

Máscaras

Tire sua máscara e me diga quem você é?

Que alimenta as ilusões, que finge as emoções,

dizendo ser quem nunca foi,

Que fez de suas lágrimas o seu melhor papel.

Abraçou o inimigo, fingindo ser amigo,

me diga agora onde ele está?

Já não estou contigo, se quiseres teu abrigo

hoje não vais me encontrar.

 E o que me resta é levantar,

olhar para frente, recomeçar,

Viver sem ter que esperar,

 são pesadelos,

quero acordar.

 Mas como sempre tive que esperar

 o seu teatro de lágrimas encenar.

Suas desculpas para controlar,

seu mundinho particular.

Faça-se o palco e abra as cortinas

 por que o show vai começar,

Desfaça a maquiagem e aquela luz apagou.

O vazio foi o que restou…

Talvez essa tenha sido a fase mais triste dos meus vintes e poucos anos, mas penso que tenha sido a fase de músicas mais criativas que fiz, não pela originalidade mas sim pelo que senti ao escrever.

Criar termos foi algo que aprendi a fazer com facilidade, o que poderia ser um teatro de lágrimas?  Pense um pouco antes de continuar a ler.

A vida como se fosse um palco, cheia de atos, cenas, dramas e experimentações. Com todas as suas artes do luxo ao suburbano, do racional a poesia,  o teatro é o lugar onde todos irão assistir a vergonha alheia

para esquecer a sua.

Um palco para o drama, pois um jovem só se identifica com a dor quando é compartilhado por outro.

Lágrimas abafadas pelo travesseiro e músicas tristes são ótimos adereços para quem está curtindo um término de namoro, tudo parece ser o fim, não seja indiferente, todo mundo já viveu seus dias tristes.

Com o passar dos anos os problemas ficam maiores e você lembra que sofrer por amor era a melhor coisa do mundo, esse tal de tempo nos prega cada uma,

o que nos resta é interpretar quem realmente gostaríamos de ser.

Teatro de lágrimas: tornar a vida um palco onde você é o ator, porém o que lhe interessa está na platéia e isso não permite o contato do seu mundo com o mundo fora do palco, às lágrimas são a expressão mais freqüente de quem vive nesse universo de metáforas.

Em uma agência de publicidade chega o cliente e pede um jingle sobre um produto, na minha vida eu sou meu próprio cliente, criar músicas que falassem sobre um teatro onde tudo terminava em lagrimas é um pedido um tanto exótico para eu mesmo.

A tristeza que me cercava na época não permitiu que eu respirasse outra coisa que não fosse a idéia de que vivemos um personagem o tempo todo.

Eu queria deixar de ser meu personagem ao menos por um tempo, não sei se consegui mas pelo menos eu tentei e o resultado disso foram as letras que você leu.

Talvez eu tenha vivido o que um homem em uma sociedade petrificada não consegue, viver aquilo que ele acredita ser o melhor para ele, viver por respostas que nunca dependeram dele.

O teatro também eleva o estado de consciência do ser, assim elevando a minha loucura sentimental, me deixando dias trancados no quarto para escrever as palavras certas, aos menos para mim.

A vida torna-se palco para o drama quando não sabemos explorar o máximo de nossa capacidade, nos deixamos levar pelas tristes emoções e nos viciamos nelas, é por isso que todo romance antigo encerra-se com um triste fim, somos tolos por acreditar que amor sem dor não é amor, que sozinhos somos piores do que com más companhias, é o que sempre digo:

Pare de querer viver uma felicidade que não é a sua, não queira viver eternamente em um teatro de lágrimas. O mais importante disso tudo é ser feliz.

Palavras Reunidas: Anjos Secretos

Anjos Secretos

A queda de Eliel

Ouvi um grito, não consegui te enxergar

no meio dessa confusão.

O meu receio é de não haver valor para ainda estar aqui.

Sei que os erros são difíceis de reconhecer,

mas nem tentei, muito cedo para se arrepender.

E ao dormir vou estar em um sonho junto a ti,

tire o medo do olhar e não esqueça que eu estou aqui.

Eu ouço seus passos, lhe tenho em meus braços,

mas seu silêncio me torna mortal.

Devolva minhas asas, me leve pra casa,

algum lugar que eu me sinta em paz.

e ao dormir vou estar em sonho junto a ti.

Último pedido

Meu fim, seria não poder lhe encontrar.

Você fingia, sorrir para não chorar.

Busco sempre uma razão, o meu destino: a solidão.

O que fazer para voltar?

Não desejei gostar de ti, sofro tanto ao sentir,

o seu sorriso pelo ar.

Então vem e me faz perfeito igual a ti.

entre o inferno e o céu, só pra ver, você sorrir.

 

Final feliz

Mais uma história sem início,

tudo acaba antes de começar.

Na multidão achei refúgio

e a frustração de não conquistar.

Se você não errou, desfaça o passado em ti.

Quer saber onde estou? Tentando retornar a si.

Mas se um milagre acontecer

e o meu destino lhe encontrar,

não hesito, digo tudo o que eu tinha para dizer.

Me escute por favor, deixe emoção prevalecer,

quem sabe agora aconteça um final feliz.

E você sabe que ao me encontrar, o imprevisível, também gera medo em mim.

Passo os dias com o céu cinza, o vento traz o seu calor.

Fingir não olhar, nos leva a nenhum lugar.

Esquecer de acordar e achar que chegamos ao fim.

Mas se um milagre acontecer…

Durante muitos anos fui atormentado por sonhos que talvez nunca se realizem, sonhos tão fortes, sonhos reais, ainda tenho esses sonhos, as consigo dormir.

Achei que essas impressões deviam ser apenas frutos da minha imaginação, eu transformo esses sonhos em textos e músicas desde os catorze, idade em que eu me apaixonei pela primeira vez.

Talvez acreditar em anjos seja para os mais religiosos, nós que buscamos auxílio espiritual no universo, não gostamos de rotular as coisas, diferente de alguns que, para tudo tem um nome e significado.

Acredito nas coisas que não pedem explicação,

Por essas e outras eu ainda acredito no amor,

Amor louco, Amor cego, Amor invejoso, Amor inconsequente, Amor besta, Amor corrupto.

Amar o amor.

Sempre pensei na ligação dos anjos com nós mortais, talvez os filmes e desenhos tenham ajudado a construir tudo isso em nossas mentes, anjos com rostinhos unisex, fofinhos sempre acompanhados de suas harpas, prontos para nos colocar para dormir.

Mas onde quero chegar são em anjos que sentem e  detêm a escolha em suas mãos, e o melhor é a escolha de não desejarem permanecer anjos.

O amor é algo que corrompe até os mais puros, não há no mundo um ser que não ame, não me refiro apenas ao amor entre pessoas, mas de um amor universal.

Os anjos que vejo em meus são feitos desse amor, porém com corações puros e capazes de fazer tudo pelo mundo, se vale a reflexão, não estamos longe de nos tornamos anjos, mas falta aquela coragem né?

Não se torna apenas um sonho mas sim uma parcela da verdade que nos assola, nós vivemos entre eles.

Aonde quero chegar de novo é que, se os anjos detêm o poder da escolha, será que eles poderiam renunciar  apenas por amor a outro mortal?

Foi pensando nisso que escrevi essas letras. Criei um personagem com o nome de Eliel para poder dar vida as músicas, Eliel vê seu coração em dúvida ao conhecer  uma linda mortal, percebe que esta dúvida o proíbe de tornar-se arcanjo, os guardiões do céu. Eliel ainda se questiona sobre seus pensamentos em relação aos humanos, é pedido a ele que faça um teste para que elimine a dúvida, porém cada dia que passa Eliel aprende um pouco sobre a vida humana, os medos, as vitórias, as decepções e o mais importante e decisivo sentimento: o amor mortal.

Eis que Eliel já tens a certeza de não querer voltar a ser anjo.

É nisto que fico pensando, será que isso é possível? Talvez existam mesmo esses anjos? É pela coragem de contar meus sonhos que acabo questionando-me.

Não tenho uma bela voz e tampouco tenho aptidão para ser músico, minha real contribuição na música eram as letras. Cada palavra, cada sentimento, cada excesso cometido, foi pouco para uma canção, talvez por isso escrevo esses textos, para que eu possa me aliviar por completo da torrente que me consome.

Palavras Reunidas: Unidos pelo confeti azul

02 Unidos pelo confete azul

Diversas frases

Vivendo para esquecer os meus fracassos e não sofrer,

Dizendo só por dizer que, eu não penso mais em você.

Será loucura? Ou ilusão?

Mentir pra mim, dizer que não.

Tormento, obsessão,

tentar fugir sem direção.

Quem vai dizer que eu não tentei?

Se você for capaz de me esquecer e não lembrar mais.

 Mas quem sou eu para falar,

com quem você deve ficar?

Tentar, me convencer que eu não sou bom para você.

Sentir, o que eu fiz para lhe ter tão longe assim.

Mas como acabar o que nem terminou?

Como acabar o que ainda não começou?

O mundo parece transformar-se quando entramos na faculdade, as necessidades ficam afloradas. Depois de um namoro de ensino médio, nada melhor do que uma vida nova, amores novos, cachaça, churrasco e uma sensação de liberdade que sempre existiu mas, que após 18 anos faz uma diferença enorme na nossa vida.

Foi assim que eu me entreguei a tudo que poderia tornar a minha vida em algo novo, com isso veio a internet, fiz cadastro em todos os sites e tornei-me um usuário compulsivo de todas as redes sociais, devo ser sincero e dizer que minha tática de conhecer garotas foi a mais básica e que talvez seja usada até hoje por muitos adeptos da paquera virtual, vejo um rostinho bonito no perfil do Orkut, deixo um recado fingindo conhece-la, crio amizade para depois pedir seu MSN e finalizar a conversa ou marcar um encontro a dois. Pronto é isso, mas nem sempre deu certo.

Somos frutos de nossa própria imaginação, e usamos esta da melhor forma que nos interessar, seja com fotos, textos, vídeo ou qualquer manifestação virtual.

Foi com a tática básica do Orkut + MSN que pude conhecer e namorar alguém que vivia do outro lado da cidade, isso só foi possível graças à internet, Oh! Santa.

Quando pensamos em conhecer alguma “amiguinha” virtual, temos que nos precaver, pode ser perigoso, mas o pior de tudo é ser desastroso e eu já vivi os dois.

Um show de rock é o melhor pedido, marca e vai, se não pintar clima, o show proverá outras gatinhas (estou rindo de mim mesmo), mas eu não precisei conhecer outras, ela era o máximo, tudo que eu precisava naquele show, mesmo assim foi embaraçoso.

Fui com um amigo, pois sair sozinho para encontrar uma desconhecida não cheira a coisa boa, no show ele encontrou com duas amigas, sem beber e nem pensar acabou ficando com uma das garotas e que o sobrou pra mim foi o resto.

– E aí? Vai ficar só me olhando?

– E… Ah… Como é seu nome mesmo?

Pronto, ela me agarrou e me beijou, sou inocente nessa história.

Sei que nesse momento você deve estar pensando que sou um cafajeste, mas ainda sim, consegui me livrar da maluca que agarra desconhecidos e encontrar minha paquera virtual no show, quando a encontrei,foi tudo perfeito.

Depois de tanto encontros, o previsível acontece, tínhamos acabado de sair de uma lojinha de doces, comprei um Confeti, sentamos no banco de um shopping movimentado, aí eu dei um gelo nela dizendo que não queria nada sério, ela lacrimejou, ofereci confetis a ela, ela me ignorou (básico de mulher que está puta da vida) mas depois complementei:

– Se você quer namorar comigo, aceite este… Confeti azul.

É tão bonito ver alguém sorrindo com os olhos marejados, sei lá, eu gosto. Melhor terminar essa história por aqui, o importante são as coisas boas.

Isso não significa que teve um final feliz. (e não estou rindo neste momento).

O fato é que depois de um namoro, você tenta superar todos os erros do passado, e eu que sou intenso resolvi quebrar todas as regras, não me permiti dar tempo ao tempo, não queria ir gostando aos poucos, queria tudo ao mesmo tempo e tinha que ser agora, me joguei, amei loucamente, queria estar próximo a qualquer momento, queria poder ligar de madrugada.

O resultado dessa sede de um amor que consome não teve um resultado bom pois, em pouco tempo o destino mudou o rumo de tudo e a levou para longe, fiquei na pior mas isso foi bom, aprendi com essa lição o que não tinha aprendido com os sentimentos de janeiro. E quer saber o mais? Eu não me arrependo e estou disposto a fazer tudo de novo por outro alguém.

 

Um mês e eu nem sei por onde anda

Corrigindo apenas os erros que

 não foram tão ruins assim.

A existência do silêncio que me faz refletir sobre tudo que já fiz.

Tento me ocupar, tento não pensar,

para isso não tomar conta de mim.

Não me acostumar, não me viciar,

só Deus sabe o quanto isso é ruim.

Sinto falta daquele olhar que me deixou na incerteza

e as promessas feitas na despedida.

Hoje prometi não me importar,

mas meus sonhos não posso controlar,

por mais que eu finja que não aconteceu.

Procurando respostas, quem foi que perdeu?

Tantas rimas que eu fiz para esse dia feliz,

mas hoje estou tentando explorar minha paciência.

Apenas ser eu mesmo, viver sem observar

e não morrer na minha existência.

Palavras Reunidas: Sentimentos de janeiro

01 Sentimentos de janeiro

1º carta para alguém que não possa ser identificado

Oi, tudo bem por aí?

Eu estou por aqui, me sentindo vazio,

mesmo sabendo que você está comigo.

Talvez meu mundo esteja vazio mesmo,

 por que nem você pode completar esse espaço.

A sua companhia me agrada e isso me satisfaz temporariamente,mesmo que eu minta

dizendo que é para vida inteira.

Te adoro, por que amar é para os poetas.

2º carta para alguém que acreditava em mim

Desculpe pelas lágrimas que causei, mas elas me acompanham a mais tempo do que você imagina.

 A sinceridade é um traço marcante, assim como sua forma de querer me prender aos seus braços, acreditando que eu não sinta vontade de ir embora,

por mais triste que pareça, eu ainda estou com você por uma questão de realização. Não tente entender.

3º  e última carta a alguém que nem mesmo me conheça

 Peço que tenha raiva de mim agora, pois sei que no futuro podemos ser bons amigos, mas o que não posso é criar uma ilusão, que dure um tempo com você imaginando o futuro, enquanto eu apenas postergo o sofrimento de ambos. Ter algo que nunca foi desejado é com um porta-retrato empoeirado esperando uma foto digna para o espaço.

Desculpe.  Sem sonhos por hoje.

A loucura que envolve o amor merece seu espaço e após começar a escrever esse ensaio em agosto, tive o janeiro mais triste que consigo lembrar; Sensação de estar acompanhado e só ao mesmo tempo. Considero janeiro um dos piores meses do ano, porém eu gosto do verão, então quando posso, eu viajo e esqueço que é janeiro, acabei fazendo três cartas para nunca esquecer o que janeiro significou para mim.

Escrever pensamentos e principalmente sentimentos que, se manifestam de acordo com o leite no copo com café ou número de pessoas que caminham da estação de metrô para faculdade, me torna diferente dos outros que apenas pensam, vivem mas não escrevem.

Todos vivemos dores, amores e prazeres em intensidades diferentes, porém, ninguém ache bom o suficiente para compartilhar. O medo de ser julgado ou ridicularizado por pessoas que vivem em casas de vidro, só mostra o quanto estamos frágeis para as investidas do inimigo, somos tolos por temer a exposição. No fundo, todo mundo está sentindo a mesma coisa e esperando alguém dar o primeiro passo. Não espere, quebre as regras.

Talvez eu culpe minha confusão sentimental por gostar muito e pouco fazer. O que fazer por alguém que ainda não tem certeza do que sente por você? Enquanto você fortalece a sua certeza toda vez que a vê sorrindo.

O sentimento que eu tenho pavor é a angústia, talvez porque eu a tenha até os dias atuais. Não é nada bom para nossa saúde viver angustiado, ansioso por algo que talvez nunca aconteceu, por isso lhe digo que todo momento é único e que ninguém deve adiar o momento por mais insignificante que ele seja.

Eu sei que apenas viver não basta, mas sofrer não deve ser complemento, pense por um segundo se esse é o caminho que você desejou, e o que fará para colocar tudo no lugar de volta?

A vida não tem fórmula pronta, acredite.

Não foi a primeira e nem será a última vez que direi essas palavras.

Palavras Reunidas: Para começar

Oi, tudo bem ?

Esse é o primeiro de oito capítulos de um ensaio literário que fiz durante minha juventude tardia, logo após eu o utilizei como material para estudo de caso em minha pós em artes visuais, o livro se divide em fases da qual espero que você goste, a leitura começou, aprecie sem moderação.

O mundo de bolas de gude

pro thiago ver

Quando não temos para onde ir, o que fazer?

E quando estamos no chão e pensamos estarmos derrotados de vez, o que vem depois?

A vida em correria como se isso fosse nos fazer esquecer de nossos medos interiores, ou talvez,

 nos aliviar por um momento.

Não estamos sendo perseguidos pela nossa covardia.

A vida é uma caixinha com bolas de gude, onde olhamos através delas e vemos apenas desenhos retorcidos.

Como eu queria enxergar alguém puro de coração,

assim me purificar também.

Meus braços estão cansados de sempre pedir algo que nunca se manifesta, porém não me canso de acreditar que muito do que sou é graças a isso.

Música sobre auto-estima no momento,

 não quer dizer que esteja me sentindo bem.

Acredite se quiser, um reflexo nosso na água nos diz muita coisa, como diz.

Pense no seu mundo de bolas de gude,

 como seria se você não estivesse lá?

O que pode acontecer quando você faz 18 anos e se vê numa rebeldia incontrolável de sentimentos?

O mundo parece que esqueceu de você, de ditar regras e talvez até lhe dizer:

“- Tudo que você sonhou quando criança, será um pouco distorcido.”

Estranho mesmo, depois de tudo que você aprendeu é começar do zero, pois as suas experiências não fazem diferença para onde você vai agora, trilhar seu verdadeiro caminho.

Sentimentos são portas invisíveis para nosso coração, o que muitas vezes nos deixam paralisados, sem reação e sem saber como agir. É fundamental o exercício do perdão e da entrega para não viver apenas lamentos, sofrer nos custa muito, sempre custa.

Reunir todos os textos que achei em minha gaveta e tentar organizá-los de um jeitinho que você se sinta parte disso não foi uma tarefa fácil.

Chega a ser nostálgico lembrar as fases em que eu me vi sem reação, paralisado, coração querendo pular fora do peito e por fim trancar-se em casa a ponto de nunca mais querer ver a luz do sol. Sim, a maioria de nós já passou por isso, nada melhor do que escrever e compartilhar.

Escrever talvez não seja mesmo um talento do qual, todos possam viver, eu tenho convicção que me incluo nisso, porém nada nos impede de colocar nossos pensamentos em uma folha e compartilhar com alguém.

Escrevo apenas o que eu gostaria de ler, assim em algum momento eu não me sentiria tão perdido.

Talvez eu não teria errado tantas vezes, mas errar também faz parte, sempre faz.

Em agosto de um ano sem muitas coisas boas, comecei a escrever este ensaio que às vezes chamo de livro mas, talvez não seja justa tal comparação.

Expressar sentimentos e revelar segredos foi o que me veio à cabeça quando pensei em escrever numa noite dessas de agosto “onde o sol é sol e a noite é noite”

Eu resolvi começar a minha jornada.

Um mundo de bolas de gude poderia ser a solução daqueles que ainda não encontraram seu lugar no mundo, seu espaço no coração de alguém, um amor que pudesse curar a alma em um lugar onde seu passado não fizesse a menor diferença.

Mesmo depois de tudo que você ler, acredito que ainda estarei longe de um dia reunir todas as palavras.

Bem vindo.

Sobre divórcio e um sonho na caixa

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Marisa estava organizando suas caixas, como pode guardar tanto papel em 23 anos de casada? Pensou se algum dia iria ler pelo menos um terço daquilo, quem sabe? Não hesitou, resolveu queimar tudo, se era pra terminar uma vida, que fosse por inteiro. Pegou as caixas e os vestidos que já não faziam sentido, jogou alcool encima e pronto, agora é assistir o fim de 23 anos em papéis e roupas.

Uma pequena caixa lhe sobrara por último, Marisa estava curiosa, não lembrava do que havia dentro, nem sabia da existência daquela caixa, segurou a respiração, apertou a caixa com as duas mãos e… não resistiu, aquela caixa não poderia ser apenas queimada sem uma única espiadela, abriu.

Fotos, fotos e mais fotos, pior do que todos os textos do mundo, as fotos nos deixam embaraçados, nos fazem chorar, ter compaixão e aquilo que salvamos na memória, saudade.

A saudade deve ser dipirona em gotas, ruim mas com efeito. Marisa não queria alívio e sim dor. Chorar, quebrar a porcelana que ganharam em algum aniversário de casamento, arranhar a merda do carro que ele dá tanta atenção, cortar a cama ao meio com uma faca e exigir sua metade em todo o resto da vida mesquinha e egoísta que suportou ao lado daquele ser invisível, de fato havia pensado em morrer, mas aí já era demais, tem muita gente ocupando os noticiários com atitudes estúpidas.

Uma separação não começa com um simples “é o fim” mas, com pequenas atitudes que somadas chegam ao resultado de três separações com reconciliação e um filho entre uma delas, tinham dois filhos, um casal, o mais novo com 16 e a mais velha com 21, ambos crescidinhos para entenderem que aquele casamento era um teatro para dizer a eles que estava tudo bem, que eles eram uma família unida e perfeita com direito a um cachorro no quintal que os recebia todos os dias latindo de alegria pelo reencontro mas que na verdade até o cachorro sabia a merda que tava aquele relacionamento.

E por que chegamos ao fim? Porque Marisa traiu seu amado marido, e como não trair aquele que se tornou apenas um homem que paga as contas de casa? Aroldo havia tornado-se um homem invisível há anos, trocou a esposa pela bebida, o amor por sexo pago e os filhos pelos presentes sazonais, também havia esquecido de si, não cuidava-se, não tinha intenção em melhorar em nada, acreditava que, enquanto nada faltasse no lar ninguém o incomodaria, de fato, nem ele se via naquela casa.

Voltando as fotos, Marisa as olhou com descrédito, não podia ser, as fotos do baile do colegial, onde estão todos? De repente bateu uma saudade em Marisa, não eram apenas fotos, eram a escolha de Marisa, tudo aconteceu no baile de formatura, mas ela não queria lembrar, 23 anos nos deixam endurecidas, não acreditamos mais em paixões.

Optou por não amar o Reinaldo por puro egoísmo, deu ouvidos a sua família e ficou com aquele que teria garantias para lhe proporcionar vida estável. Reinaldo era artista ou desejava ser, rabiscava com perfeição, tocava gaita e adorava filmes franceses, havia formado por sorte, era amado por todos mas só amava Marisa que no fim se deu conta que também amou Reinaldo naquela época, desperdiçou uma vida imprevisível para viver o sonho de toda menina de sua geração, uma família ideal.

Marisa, tomou uma atitude, iria procurar Reinaldo, usaria a internet e alguns contatos, conseguiu um numero, um endereço e um email.O telefone não existia, o endereço era de uma pizzaria no centro e por último um email que ninguém respondeu até que um dia ao apagar sua caixa de spam se assustou ao ler uma resposta, era Reinaldo.

Marcaram um encontro, ele estaria na cidade, adoraria vê-la novamente, combinaram um café que ficava próximo a antiga escola, chegou no horário marcado. Marisa trouxe um guarda chuva por precaução, segurou-o forte para não demonstrar suas mãos tremendo, sentou sem cumprimenta-lo.

– Oi!

– Oi.

Se olharam por alguns segundos, Reinaldo apreciou aquele silêncio como uma confissão, Marisa ficou pensando na próxima pergunta que iria fazer.

– Porque demorou 23 anos para me procurar?

Se olharam novamente, Marisa pensou que devia ter queimado aquela caixa, não queria explicar uma vida inteira para um antigo amigo de colégio.

– Eu nunca esqueci de você Marisa.

Marisa olhou em seus olhos e leu a verdade por trás daquelas palavras, sorriu.

– Vamos começar com você me contando o que fez durante esse tempo, não me diga que virou funcionário público?

– Não, sou escritor.

Sorriu novamente, sentiu um alívio, seus sonhos voltavam à tona, aquelas fotos naquela caixa ressuscitaram uma Marisa que decidiu viver novamente mesmo que isso durasse um café próximo ao antigo colégio.

PS: Marisa me contou sua vida, eu editei acreditando esta ser a parte que ela gostaria de contar para um desconhecido.

Letícia só queria ter filhos

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Letícia acordou cedo naquele dia, era feriado, não precisava sair da cama pra constatar que haveria nada pra fazer, não conseguiu voltar a dormir, ficou lembrando-se do sonho que havia tido minutos antes de acordar, a história das meias vermelhas, uma história que sua vo lhe contava em todo natal, era sobre uma menina que só andava com meias vermelhas até o joelho na esperança de sua mãe lhe reencontrar, a menina usava meias vermelhas no dia em que se perdeu  da mãe, acreditava que mesmo que em uma multidão se a mãe andasse olhando para o chão veria as meias e acharia a sua filha, toda véspera de natal a menina ia para a feira, o mercado e as ruas comerciais afim de alimentar um mínimo de esperança de sua mãe lhe achar em meio a tantas pessoas. Letícia se viu naquela história, mas no seu caso ela era a mãe.

Letícia sempre sonhou com o dia que iria ser mãe, brincava com as bonecas e lhes dava nomes, criou cachorros dentro de casa, cuidou do irmão mais novo com muito zelo, ouviu tudo que os pais haviam lhe orientado.

– Filho custa caro.

– Você ainda nem terminou os estudos.

– Um filho interrompe sua juventude.

– O mundo de hoje não é como antigamente.

Com tanta recomendação Letícia resolveu esperar, queria ter filhos, mas queria tudo do bom e do melhor para eles, queria poder oferecer um mundo justo e menos desigual, decidiu esperar.

O tempo não tem compaixão, 20 anos haviam se passado e Letícia ainda não tinha alguém para preparar o café ou alguém para ralhar sobre jogar bola na sala, Letícia estava só.

Se pudesse teria voltado no tempo e teria experimentado uma vida sem muitas vitórias porém teria um filho do qual pudesse amar incondicionalmente e exigir que não deixasse de usar meias vermelhas para que assim não se perdesse dela.

Que seja o que for (por amor)

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Fabrício pensou que tipo de vizinha seria aquela, parece maluquinha, mas gostou do jeito dela, só não queria problemas, toda vizinha acaba sendo problemática, a história sempre se repetia.

Se Lena morasse mais um mês ele tentaria alguma aproximação. Ela já estava morando ali há oito meses e pouco se viam, algo precisava ser feito.

– Ótima hora para pedir uma xícara de açúcar. Pensou Fabrício.

Vestiu uma blusa desbotada do Legião (a mesma de sempre, não costuma comprar roupas), calçou o chinelo do Flamengo, por fim uma bermuda bege pra mostrar o quão horroroso era morar sozinho.

– Oh de casa! (vai começar a mesma ladainha, penso eu, que escrevo)

Esperou

– Oh de casa!

Não devia ter ninguém em casa, ao contrário de Lena, Fabrício era um pouco inquieto. Imaginou que se ninguém atendeu ou se manifestou é porque não deve ter ninguém, decidiu ir embora.

– QUEM É?

“Caraca, deve ser a mãe dela, gritando desse jeito,ah meu Deus.” Pensou Fabrício mas não quis acreditar.

A janela da frente abre, um cheiro de incenso barato com uma trilha indiana de fundo, só podia ser a própria Vishnu (A deusa indiana criadora de tudo) misturado com Bob Marley, por que o cheiro de maconha estava forte e o incenso disfarçava pouco.

– Opa! Eu sou o Fabrício, o vizinho aqui do lado, estou lhe atrapalhando né? outra hora eu volto….

– Lena, nos temos vizinho na casa ao lado?

Lena aparece na outra janela.

– Sim, eu comentei com voce, o lance da toalha no carro do dele.

– Ah tá, dane-se, estou em transe e pelo olhos dele vejo que ele também deseja transar, ops, entrar em transe. Peço perdão, não sou eu, estou com a entidade de Parvati (Não sei qual é esse deus hindu), sou o irmão dela, depois nos falamos ahummmmmmmmmmmmmmmmm.

Fabrício ficou vermelho, procurou um buraco para se enterrar, permaneceu imóvel até que Lena quebrou o silêncio.

– Não liga, ele fala muita asneira, tá chapado de maconha, sempre fala besteiras.

– Tá, tudo bem, eu vou indo…

– Mas já? E o que você queria? Posso ajudar?

– Nem era tão sério assim, eu esqueci.

– Fala sério, o que você tava fazendo antes de vir aqui?

Fabrício pensou em dizer que imaginou ela a tarde toda, que desejou envolve-la em seus braços, arrancar-lhe o ar com um beijo capaz de leva-la as estrelas enquanto tocava seus cabelos vagarosamente deslizando seus dedos até as suas pontas.

– Nada.

– Então por que demorou pra responder?

– Hã

Caralho! já estava apaixonado, ele podia não saber, mas esta atitude o entregou. Ficou mais vermelho ainda.

– Na verdade eu vim pedir uma xícara de açúcar, parece idiota, essa hora da noite e um vizinho bater na porta e…..

Fabrício ficou falando sozinho, ela tinha entrado, achou-se um tremendo idiota, melhor ir embora.

– Aonde você vai?

Lena já estava atrás dele

– Serve no copo?

– Claro

Neste exato momento, enquanto trocavam o copo de mãos puderam sentir o calor entre os dedos um do outro.

“Que droga! vou me apaixonar denovo” pensou Lena.

Quando começa a mudança (por revolução)

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Lena, de Helena mesmo, simples e sem historinhas, diferente de Chandele, Jujuba ou Meia noite, todos esses apelidos criados a partir de uma conversa na saída do colégio, um esconde-esconde na rua e um pega a bola.

Lena tinha acabado de mudar-se, estava fazendo um churrasco para comemorar a sua nova casa, ia morar com o irmão sob supervisão da mãe.

Lena tem muitos sonhos, ama as cores, viciada em pessoas, adora música e não sabe cozinhar mas decidiu organizar um evento em sua nova casa. Ninguém havia chegado, o irmão foi comprar gelo, a casa ainda estava vazia, a mudança só chegava na segunda.

Mesmo sem saber acender o fogo, temperar a carne e abanar, Lena começou sua aventura ao preparar uma lingüiça só a esqueceu de desenrolá-la do pano. Fez fogo, no pano. Lena desesperou-se, lembrou da cena que a moça pegava fogo no circo, mas era pra valer, poderia ser um indicio de um desastre, um incêndio. Não era nada demais, apenas um pano pegando fogo, pegou e o arremessou muro afora.

– Oh de casa!

Lena, chamou mas ninguém aparecia, de cima do muro viu a luz de fora acesa, seu “churrasco” estava no capo do carro do vizinho, insistiu,’’ mas nada.

– Oh de casa!

Imaginou quem poderia morar naquela casa, devia ser um velho daqueles bem ranzinza cheio de tics ou então um alcoólatra, vai saber.

Lena enquanto chamava o vizinho pensou no que estaria prestes a se tornar, pela primeira vez havia tomado uma decisão sem ajuda de ninguém, decidiu que precisava de um canto seu, uma vida, um coração. O coração não precisava ter pressa, a vida se encarregaria disso com o tempo.

-Oh de casa!

Um rosto coberto pela fumaça do churrasco, uma voz masculina enfurecida, a porta abre, um diálogo sem nexo, um rosto lindo, a procura, o coração. Lena não conseguia mais processar o que o vizinho falava, e como ele falava.