Alienígenas invadem a capital

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Luzes. Um clarão que não permitia enxergar nada, o som era das vozes que se aproximavam e iam somando naquele ensaio de praça publica com deposito de quinquilharia.

Coisa estranha de ver, parecia um início de romaria sem presépio. Era cada coisa que ouvia e ainda não sabia do que estavam falando.

– Valei-me nossa senhora!

– Chegou a hora!

– É de lascar o cano.

Pouco ou quase nada podia-se definir daquele clarão na capital do cerrado, as fortes luzes não deixavam nem os pensamentos se organizarem. Mas a bagunça sim, esta já estava organizada, o branco se misturava com o vermelho e azul dos rotolights, que juntamente com a guarda municipal tentavam fazer ao menos uma fila.

– Pra que fila?

– Pra organizar.

Respondeu o soldado pensando em uma resposta melhor

– Hoje começa o fim do mundo.

Syrleide (Nome inglês, mistura de Sir com Lady) que chegara no último circular, queria saber o porque daquele furdunço em sua porta aquela hora da noite. Em pouco tempo já foi enquadrada na fila das sem rumo, as outras filas eram: Curiosos, Bêbados e devotos de Santo Expedito.

Ninguém sabia mais o que fazer, nem a polícia, nem o povo, muito menos Syrleide que só queria ver o final da novela.

Quando o clarão acabou, a energia da cidade se foi, no escuro as teorias eram outras, coisa de máfia, tem ET no meio ou seria alguém soldando algum portão velho, mas em poucos segundos tudo se clareou ao menos nas ideias. No fim da rua descia uma mistura de brinquedo assassino com fantasma do filme Ghost.

Era o palhaço Pirulito esfumaçando, depois de uma gato de luz mal-sucedido. Ao encarar a multidão e seus cartazes, não exitou:

– O circo chegou minha gente!

Corre Pirulito.

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Carta à mulher do meu ex-amigo

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Querida cretina,

Venho parabeniza-la por conseguir nos afastar, imagine o que são 20 anos de amizade perdidos por conta de um silicone e um gemido alto dizendo que ele (ex-amigo) é bem dotado e um  insaciável amante.

Você já parou pra pensar que ele não pode conversar com você sobre futebol? Tô falando de clássicos, de copa, de técnico, de série B, de pulada de cerca na sexta a noite.
Você não tem amigas não? De tão megera, deve ter roubado os homens das outras e agora quer fazer poupança com o nosso croupier, mas saiba que nesse jogo quem perdeu foi você.

Agora é você que vai ter que aguentar a ladainha por causa do rebaixamento do Botafogo, é você que vai ficar ouvindo aquelas músicas horríveis no violão desafinado, vai ter que aguentar o mala do irmão e o resto da família em todo feriado.

Mas eu não guardo rancor de você, guardo dele. Na primeira oportunidade deixou o carteado com os amigos por um belo par de seios ( e que seios), espero que ele nunca precise de um ombro amigo, de grana emprestada, de jogar conversa fora, de um álibi, de um plano de fuga, de uma boneca inflável e nem de um advogado quando você tomar tudo que ele tem.

Amigo é amigo, e ex-amigo é filho da puta.

Ps: Gostosa!

Eu sou maçom .’.

maçonaria

 

 

Chegaram desconfiados, endereço apenas letras e números não é lugar bom

– É aqui.

– Como tu sabe?

– G.O.B.  Gilson Oliveira Barbosa

– E esse desenho de esquadro e régua.

– Tú é uma mula Paulo? Ele é arquiteto porra!

– E precisa morar numa casa com muro alto e um portão todo fechado?

– Bicho! O cara é contemporâneo, isso é coisa moderna, não é pra gente.

– Que festa é essa? Tudo fechado, não tem música, não tem criança.

– PORRA! É uma festa surpresa, agora grita pra todo mundo saber, num tá vendo esse tanto de carro? tá todo mundo esperando agente lá dentro.

– Então chama aí na porta.

Diego bateu no portão três vezes, dó outro lado ouviu-se:

– Saudações meu irmão, anuncie de que loja você veio!

Diego e Paulo se olharam, era algum tipo de brincadeira, olhou uma frase e um numero na parede, sem pensar leu em voz alta

Grande Oriente do Brasil, 33.

Ouvia-se um burburinho do outro lado, a porta abriu-se rapidamente e foram puxados para dentro, começou uma sessão calorosa de abraços, apertos de mãos, batidas no rosto e depois no peito.

– Não estávamos lhe esperando, que surpresa boa!

Diego e Paulo já estavam sem entender o que estava acontecendo, a surpresa era para o Gilson, não conhecia ninguém naquela festa, todo mundo de terno preto.

– Coloquem seus aventais, a sessão irá começar, faça nos a honra, presida esta solene sessão.

– Tá…..

Diego estava desorientado, pensou um pouco e ligou os pontos, não era festa surpresa para o Gilson coisa nenhuma, era um casamento surpresa, o seu casamento. Estava noivo há seis anos de Marina, estes deviam ser os tios do sul de que tanto falava.

– Ela não podia ter feito isso comigo, sacana.

– Quieta aí velho, vai começar a festa, geral está entrando, casa esquisita. Contemporânea!- Disse Paulo

Um senhor de terno amarrou o avental em Diego, depois em Paulo, apertou a mão e deu dois tapas nos rostos de cada um, orientaram Paulo a sentar e esperar dentro da casa. Enquanto isso um grupo cercou Diego com espadas.

Ao entrar no salão, ficou ofuscado pelo excesso de luz que vinha das velas, ao centro três senhores com aventais azuis, o do meio e por sinal mais velho (Devia ser o padre) pronunciou:

– Quem chega neste respeitoso templo?

– Um representante da Augusta e honrada GOB

– E o que tem a dizer?

Neste momento as espadas se abaixaram e abriram espaço para Diego, que pensou se de fato estava pronto para casar, pelo menos não naquele dia.

– Eu não vou casar! Vambora Paulinho, é uma cilada.

Saíram os dois correndo, entraram no carro e sumiram na estrada.

– Caralho que porra de festa esquisita velho. Disse paulo

– Não vamos contar nada a ninguém.

– Por que?

– Porque agora somos maçons.

 

OBS: Na foto, a saudação secreta entre os maçons.

Obs²: Isso tudo é ficção, beleza?