Fazendo tudo e ao mesmo tempo nada

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Acordei cedo, de ressaca, sem bebida, dormi tarde e acordei, deu nisso. Lembrei que havia algo para concluir logo pela manhã, coisa de quem não trabalha muito mas quando pinta um freelance, precisa ser ágil, nessas épocas de vacas em dieta não podemos optar por uma vida alternativa, inclusive por que nesse mar de concreto e asfalto a única alternativa é trabalhar.
Era algo ligado à internet, mas antes conectei o celular na wi-fi de casa, visualizei as 300 mensagens de boa noite e as 100 de bom dia no Whatsapp, olhei algumas fotos no Instagram e por fim uns nudes no Snap chat.

Passei um café, requentei um pão dormido, coloquei ração para o Elvis e a Bibi que ainda estavam sonolentos, continuaram no sofá assistindo o Bom Dia Brasil.

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Liguei o notebook, abri meu email e nenhuma pista, olhei alguns spams de ofertas, precisava comprar uma cafeteira elétrica, estava fora de moda coar café. Assisti o novo clipe da Marisa Monte, li alguns artigos na Carta capital, Veja, Folha, Estadão e achei tudo parecido.
Dei uma leve espiadinha no Facebook, já eram 11h30. Me arrumei as pressas, coloquei um biscoito na mochila e saí correndo para uma reunião de almoço.

Durante o almoço.
– Você trouxe o que lhe pedi?
– Não me pediu nada.
– O relatório.
Silêncio
– Ficou fazendo o que pela manhã?
Melhor inventar uma mentira
– Nada

Não consegui.

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Cannabis Free

 

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São 14h30, uma marola invade a janela da firma, cheiro amigável para Isabele, recepcionista, que namorou o Guto, que lhe apresentou a religião Rastafari, pouca pregação, muita fumação, coisa boa. Isabele conhecia pelo cheiro se era prensado ou puro, extraido apenas das flores. Cannabis Brother!

Ela queria ter falado alto, mas poderia não ser bem aceita no escritório de contabilidade onde havia um crucifixo enorme na parede, ali Jesus ficava olhando de canto de olho para quem enrolava no trabalho, Isabele queria enrolar outra parada.

– Todo dia agora é isso, esses vagabundos ficam fumando maconha aqui embaixo do prédio, vou ligar pra polícia.

– E adianta? Hoje em dia a maconha não dá flagrante, o cheiro é que incomoda mesmo, fecha essa janela!

Enquanto Almeida e Roberto fechavam todas as janelas, Isabele ria por dentro ao saber o que atraía aqueles garotos pra fumarem maconha no pé prédio, a wi-fi liberada. E foi graças a ela que a internet continuou sem senha. Do escritório se ouvia as risadas, as músicas de estilos variáveis.

– Porra! Ouvir funk é sacanagem.

– Isso é eletrônico, é diferente.

– Você escuta essas músicas Isabele?

Ficou compenetrada em seu trabalho, o cara da parede estava pronto a dedurar os preguiçosos.Lá embaixo se ouviu:

– Valeu Isabele!

Os chefes entreolharam-se.

Isabele cansou de enrolar, desceu e foi enrolar com os brothers.

Internet livre, viva a liberdade!

 

 

Desgraça em família

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Lá vinha Joaquim chegando para menos um dia a contar para aposentadoria, já que  a estabilidade do serviço público não substituía a frustração de não ter feito aquilo que lhe deu vontade: ter sido chefe de cozinha. Mas  não podia reclamar, viajou, casou, comprou uma boa casa, fez empréstimo, pagou escola em atraso, pegou outro empréstimo, a sogra morou junto com ele por um ano e depois disso voltou a acreditar em Deus, mesmo que ele (Deus) não tenha ouvido seu pedido de leva-la logo para o purgatório, convenceu a cobra de morar com a outra filha que por sinal era mais nova, mais gostosa e mais divertida. Insuportavelmente feliz.

De tanto amaldiçoar a sogra cresceu a preocupação de que sua amada mãezinha,  dona Neuza, pudesse estar sendo hostilizada por um ebó vindo de sua cunhada, Débora , mulher do Toninho, seu único irmão, mais novo e pilantra de marca maior.

Toninho ao 30 anos possuía um currículo invejável, agremiou vários troféus, pegou mulher bandida, advogada, policial, carcereira, por fim, arriscou promotora pública mas não rolou. Tinha um relacionamento sério de idas e vindas com Débora, uma biscate que o amava mas o usurpava sempre que podia.  A única admiração de Toninho era Joaquim, seu irmão. Um de pai de família exemplar, funcionário serio, com exceção da mulher megera que arrumou, lhe deu dois filhos mas não conseguiu se livrar do mau hálito, Toninho demonstrava o desprezo pela cunhada sempre lhe oferecendo Halls.

– Essa bala tem um hálito refrescante

– …..

Com silêncio, a cunhada o desprezava, só aturava e recebia sua visita por respeito ao marido e a mãe que estava doente.

Naquele dia  Joaquim chegou no serviço com a cara de poucos amigos, a mulher deu-lhe uma bronca sobre o atraso do colégio, com bafo e tudo. Ligou o computador, olhou as noticias e a críticas sobre o Palmeiras. foi fumar por uma hora no estacionamento da empresa. Ao regressar:

– Caralho Joaquim, na próxima leva essa merda de celular contigo! Disse o Bezerra, seu parceiro de mesa.

– Seu irmão ligou umas vinte vezes.

Mamãe. Só podia ser. Ligou desesperado para o irmão, sem respirar, Toninho atendeu aos prantos.

– Uma desgraça, Joaquim, na nossa família.

– Porra Toninho, eu tentei fazer de tudo mas a mamãe já estava doente.

Silêncio mortal

– Não foi a mãe.

– quem foi?

– A Débora.

-Graças a deus!

-Devia  ter sido a tua, aquela boca podre.

-Devia mesmo.

Pensou alto.

O coleciona-dor

Thiago Maroca e sua coleção de moedas

Acordou e lembrou que não poderia ir tomar café na padaria até as 9h, correria um sério risco de encontrar com a Márcia já que hoje é quinta e ela acorda tarde devido ao jogo da noite passada. Fritou o último ovo que estava na geladeira com estampa de melancia, que inclusive, só comprou para provocar o Tobias e a Renata, casal de ex-amigos que tinham uma casa bem estilosa. Por vingança falou mal dos dois no Facebook e perdeu um casal que fazia maravilhosos pães.

Enquanto o ovo fritava,  olhou o Whatsapp e viu mais uma mensagem com texto do Dalai Lama no grupo da família, só estava no grupo por amor a mãe, que aliás era a única que ainda mantinha contato.

Sentiu que precisava ocupar seu tempo enquanto esperava a rua ficar vazia para não ser obrigado a cumprimentar pessoas indesejáveis. Imagina você, obrigado a acenar ao porteiro turco, o vizinho surdo, a mulher que vendia avon todos os dias? Uma terapia da qual não estava afim. Para disfarçar que não tinha visto a mulher-avon fingiu ler um cartaz no poste.

– Filatelia e numismática.

As palavras não saiam de sua cabeça, pesquisou no Wikipédia e leu que o primeiro era sobre coleções de selos e o outro sobre coleções de moedas, dinheiro em geral.

– Porra! Filatelia! Era isso!

Não era, isso é coisa pra quem tem grana, tem selo que custa 40 mil doláres, ninguém escreve carta neste país, uma coleção somente de carta social não podia ser coisa séria.

– Minha vó tem um pote cheio de moedas antigas.

E a resposta foi:

– Tire as mãos das minhas moedas  infeliz das costas oca. Vai guardar as suas seu pão duro.

A velha era um charme, mas não ia ceder nem com reza braba. O jeito seria começar a coleção do zero, iria começar pedindo pela internet mas lembrou que não tinha amigos nas redes sociais. Talvez o pessoal da igreja, mas odiava todo mundo de lá, exceto Jesus. Quem sabe o único amigo de verdade, o Tico.

– Me paga aqueles 300 reais que tu me deve, que te dou 5 reais em moeda pra essa tua coleção. Vá se lascar!

Não ia rolar, o jeito seria pensar em outra coleção ou continuar a que sempre teve em segredos, a coleção de inimizades.

 

Broxa!

Thiago Maroca

Olhar desconfiado mas com sorriso na cara, de copo na mão saudava à todos e pedia um brinde à pessoa mais especial na festa.
– Você
– Mas o aniversário não é meu.
– Então à nossa amizade.
–  Que seja, eu sou a Lu.
– Marquinhos.

Pronto, agora tinha um álibi, se questionassem, diria que veio com Lu.
– A mãe do Ricardinho?

– A que tem gêmeos?

– A quem não pode ter filhos?

Marquinhos estava ferrado, entrou sem notar que era uma festa de criança, a mesa e os brinquedos estavam nos fundos, assim as mães podiam conversar a vontade na sala. Com tantos anos sendo penetra como pode errar a festa, sempre tem churrasco com cerveja no domingo, que vacilo.

– Vou pegar refrigerante, quem aceita?

Na cozinha descobriu o baú do tesouro, cervejas e uns destilados, colocou uma dose de tequila na sprite da mulherada, bateu a cerveja com sorvete no liquidificador. Serviu aos distintos grupos, milk shake  pra garotada e porrinha para a mamães.

Em uma hora, a festa havia mudado de clima, o funk ensurdecia a vizinhança,  a pirralhada dormindo e as mães com menos roupas dançavam a velocidade cinco do créu. Marquinhos se viu encurralado, em uma hora os maridos iriam começar a virem buscar filhos e esposa, era preciso baixar o fogo das mulheres, trocou de música, de funk mudou para Whitney Hilston com tema do guarda costa, abaixou a cabeça e começou a chorar.

– Eu estou frito!

As mulheres sentaram em sua volta e iniciaram aquilo que toda mãe faz de melhor: Acolher. Marquinhos contou uma história triste que começava com o abandono dos pais até a traição da esposa amada com o melhor amigo. Todas choravam junto com Marquinhos, exceto Rita que estava bêbada mas inquieta.

– Seu broxa!

Sexo não ia rolar, a bebida tinha acabado, a saída era comover pra arrancar uma grana das madames e começar a festa em outro canto. Contou a famosa historia do filho doente, do irmão preso, da irmã doida e do pai que ele nunca conheceu, foi um choro só, Rita continuava no mesmo discurso.

– BROXAAAAAAAA!

Disse que tinha vergonha mas estava morando de favor na casa de um amigo e não suportava mais, tanta humilhação, saiu e hoje não teria onde dormir, negou todos os convites de acolhida pois sabia que corno é uma raça que mata. Deu o golpe triunfal.

– Eu vou voltar para São Paulo, visitar uns amigos e recomeçar a vida… Com meu cachorro.

– E o filho?

– Está morando com a mãe, não posso visita-lo. Não queria pedir mas não tenho nem o da lotação para a rodoviária.

– Nos vamos ajudar, meninas mãos a carteira, esse homem precisa de nós.

Lucrou 1.600 naquele dia, ouviu uma buzina, sabia que era a deixa para não arrumar encrenca, pegou o dinheiro, saiu de fininho, esbarrou com o primeiro marido que havia chegado.

– Olá boa tarde, sou o mágico Luan, as crianças adoraram o show.

Lá dentro, Rita, ainda bêbada:

– Volta aqui seu BROXAAAAAA!

Tchau 2014, desculpa qualquer coisa

foto catedral por thiago maroca

É sempre assim, tudo termina com um desculpa qualquer coisa!  

Deveria ser mais fácil, mas na despedida é importante deixar claro que talvez você tenha feito algo errado, para  não deixar passar batido e nem deixar ninguém magoado, finaliza com:

– Tchau, desculpa qualquer coisa.

Quem de fato se importa com um desculpa qualquer coisa? Já pensou se a mina te diz:

– Você broxou,eu vou indo, desculpa qualquer coisa.

E imagina você ouvir isso no restaurante:

– Hoje não tem comida, desculpa qualquer coisa.

Fico pensando na superação de desculpas que damos toda vez que dizemos desculpa qualquer coisa. Mas é isso mesmo, o ano passou e de repente a casa tá cheia de primos, uma bagunça só, e você se prepara para mais um ano de luta diária com a promessa de qua as coisas deem certo desta vez, quem sabe um carro novo, emprego novo, tudo novo pois afinal é ano novo.

Minha sugestão: deixe de fato as coisas velhas no ano que passa. Desculpas velhas, manias velhas, fofocas velhas, preguiça velha, falsidade velha, vamos de fato sermos novos.

 

Feliz 2015 e Desculpa qualquer coisa!

À prova de tudo

thiago maroca

– Eu queria dizer uma coisa antes de começar.

– Pode dizer.

– Mas aqui?

– E onde mais? Você veio até aqui para isso.

– Mas não para dizer o que eu quero dizer.

– De antemão lhe digo que nada do que disser irá mudar a situação.

– Nem um boquete?

– É….

Ele hesitou, nunca recebera um boquete como proposta, já tinha recebido cargo comissionado, um caminhão de areia e título remido de clube . Era a última fase do exame para obtenção do título de taquígrafo, a coisa mais importante para Sheila, que havia passado no concurso sem pretensões, mas quando soube do salário se animou, o impedimento era apenas um : ter o certificado, e o único curso era feito por Seu Jesus que aliás era o último taquígrafo do tribunal e estava se aposentando.

Sheila sem muita simpatia pelo assunto não ligou quando soube que havia passado, estudaria e passaria em outro bem melhor, com salário maior e algo em que possuísse interesse, ou seja, fazer porra nenhuma. Viu seu nome no diário oficial, ficou de boa, afinal, havia começado a estudar por agora e este não seria o último. A real, é que Sheila foi a única inscrita para taquigrafia pois ninguém entendia bulhufas, se era comer ou para passar no cabelo. Sheila gosta mesmo é das oportunidades que suas pernas e seu decote proporcionam.

Toda mulher deve saber o ouro que carrega no meio das pernas. Ouviu na rua e guardou como máxima sua vida, inteligência é fazer os outros trabalharem para você.

Seu Jesus era um homem modesto, aprendeu cedo a arte da taquigrafia, estudou sua origem do grego, seu uso no Brasil e suas adaptações. O Taquígrafo é um rapaz com papel e caneta na mão que vai anotando tudo que é dito no tribunal para anexar ao processo depois, o Taquígrafo é de suma importância, mas pouco conhecido no mundo das pessoas comuns.

– Você faz o que Jesus? Além de salvar a humanidade? (piada pronta é uma merda)

– Sou Taquígrafo.

– E que porra faz um Taquigrafo?

E ele começava sempre com a mesma frase.

– Na taquigrafia tudo começa com um ponto.

Seu Jesus já havia escrito o suficiente para biblioteca de Alexandria nos últimos 25 anos dedicados ao tribunal, muito amigos de profissão desistiram do ofício, seu Jesus manteve-se no mesmo lugar  exceto nas férias. Com o aumento de fóruns no país, aumentara a demanda por novos taquígrafos. Por amor a profissão decidiu ensinar, gostaria de saber que seu cargo iria continuar a colaborar com o judiciário do Brasil, já pensou um computador fazer taquigrafia? Foi inventado, mas deve ser usado por um taquígrafo, ao menos isso.

– A taquigrafia começa com um ponto.

Primeira regra do curso, Seu Jesus falava para sua única aluna na aula inaugural, que pelo interesse, mesmo Seu Jesus dizendo que havia descoberto o fim da fome Sheila não se interessaria.Apelou para os causos.

– Uma vez no tribunal o Ferreira aprontou uma que você não acredita.

Sheila continuou olhando seu celular

– Chegou bêbado e vestiu a toga do juiz Queiroz e no meio do júri gritou: Eu sou o Batmam!

Tomou uma advertência mas não foi demitido, realocado na reprografia onde aposentou por invalidez ao adquirir L.E.R. no dedo indicador.

– Professor? Você se importa se eu já for indo mas, é que hoje eu estou super ocupada, prometo chegar cedo nas próximas aulas.

Sem dar tempo de resposta ao Seu Jesus, Sheila saiu da sala e foi embora, aprender pra que?Seu Jesus passou as semanas seguintes esperando sua aluna para continuar a história da taquigrafia.

Sheila descobriu que era burra há menos de uma semana para empossar no único concurso que havia passado.Desesperada contou as mesmas mentiras que sempre conta quando está no sufoco:

Minha mãe estava doente, descobri quem é meu pai, comecei em um emprego novo, roubaram meu carro.

– O senhor precisa me salvar!

– Eu não sou esse Jesus.

– Eu preciso passar neste concurso, porém suplico, que o senhor me dê este certificado.

– Eu só posso lhe dar se você fizer o curso.

– Não há nada que o senhor pode fazer por mim.

– Não!

– Nem com um boquete.

– Nem com uma orgia com tuas primas de odaliscas e você nua, coberta de mel.

Tudo começa com um ponto e a história da Sheila também, com ponto final.

Novo movimento (+18)

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Em tempos que possuir opinião é sinal de cretinice, cresce um movimento nas redes sociais. Movimento este do qual nunca se viu tantos adeptos, em sua maioria jovens.

Esta juventude pertencente a gigante onda que tomou conta da internet não sofreu efeitos colaterais da desestabilização econômica e social de nosso país, também não lembra quanto custava um quilo de carne ou uma calça jeans. O problema destes é apenas este, a falta de memória, pois quem vive de passado é museu segundo alguns.

Os jovens que pedem um governo transparente, não aceitam a democracia. São os mesmos que acham que racismo não existe e que as roupas justificam o estupro. Também não aceitam perder e nem entendem porque ainda não são os chefes em seu trabalho. Culpam os favelados pela violência e se indignam quando os vêem no shopping falando alto em seus iPhones comprando as futilidades que os comerciais juram mudarem suas vidas.

– Os problemas são os pais.

A frase mais ecoada nas conversas, acredito que o problema somos nós de uma forma geral, sempre remediando ou adiando as decisões difíceis.

O movimento e os jovens que participam são ligados sem saber, no passado eram chamados de hipócritas, hoje todos somos hipócritas, este movimento é outro: O PAUNOCUZISMO.

  • Para ser um PAU NO CU não é tarefa simples,  é preciso começar com pequenos gestos, a falta de cortesia é o primeiro deles, basta fingir que está ao celular para não cumprimentar alguém ou para não ceder a vez na fila;
  • Ninguém nasce PAU NO CU , é algo que se adquire ao longo da vida, outro exemplo é sempre deixar desfeito para que o próximo conserte;
  • Também pode ser PAU NO CU aquele que permanece infantil após atingir a fase adulta;
  • PAU NO CU não gosta de sentir se na pele do outro;
  • PAU NO CU de verdade sempre é contra a maioria, por isso apóia coisas como ditadura e violência doméstica.
  • Todo PAU NO CU pede ajuda aos outros porém vive ocupado demais para ajudar.
  • PAU NO CU que se preze precisa falar mal de três pessoas por dia, no mínimo.
  • PAU NO CU não fala na cara, manda recado ou escreve na internet.

 

Pra encerrar só pode ser um PAU NO CU autêntico aquele que diz muita asneira, prolifera idiotices mas não as vive pois acha caro o preço a ser cobrado pelos amigos, se é que tem.

Quando você identificar algum membro do movimento, apenas diga à ele o lema de sua organização:

– Vai tomar no cu, PAU NO CU!

E continue sua vida ouvindo  a música de inspiração para esse texto.

 

 

 

 

Tiques e Vícios

O clima de dia de pagamento, um momento de alegria, piadas e risadas o tempo todo, copo nenhum permanecia vazio pois a conclusão era uma só:

– Hoje eu to pagando!

Em uma ponta da mesa o mais novo integrante do clube Amantes da sexta, Henrique, namorando, trabalhando em um banco e estudando engenharia, vai se dar bem na vida. Na outra ponta o mais velho, um bebedor de primeira,mas nunca deu vexame e nem perdeu uma rodada de baralho, o líder do nosso rebanho, Maurício.

Entre este dois extremos estão pessoas como eu e você, que bebe mas não exagera, que manda mensagem pra esposa dizendo que o trânsito está terrível e vai atrasar, gente que está passando na padaria pra ninguém levantar cedo no sábado. O segredo é sempre levar um chocolate e uma dose de bom humor, depois de tantas doses, esta não pode faltar.

Quem trouxe o Henrique foi o primo dele, o Cléber, meio caladão mas possuía um bom coração, sempre deixava um de nós em casa. Já o Maurício fundou o grupo, pelo simples fato de ter feito merda no passado, escolhendo  a mulher errada pra casar.

Música animada com assunto divertido, falar mal de quem não veio.

– Pau mandado! Disse Betão

– Sempre desconfiei que mordesse a fronha, por isso eu bebo, fumo e aposto. Comentou Maurício

– As vezes é só um resfriado (virou o pescoço e bateu a mão duas vezes na mesa). Argumentou o Henrique

No terceiro encontro todos já haviam percebido algo de estranho em Henrique, ele  possuía cacoete para tudo que fazia, pra levantar cheirava a mão, pra cumprimentar coçava as costas antes e pra pagar a conta esfregava o cartão de crédito na testa. Maurício um eterno gozador, não pode deixar de reparar nas manias do amigo e quando ele sentou esfregando as mãos na mesa, de lá gritou:

– Chegou o Henrique, Cheio dos tiques.

Henrique ficou pensando naquilo enquanto o amigo bebia, fumava, mentia pra mulher no celular e apostava qualquer coisa com a mesa, sem pestanejar respondeu:

– Mas a conta de hoje é do Maurício, cheio dos vícios.

E nós ali no meio pensando na desculpa dessa sexta.

A Boleira

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Tia Heloisa era a melhor tia de toda a quarta série, as datas mais esperadas eram as festinhas da escola e o aniversário da professora Marli que, apesar de ser uma carrasca, ganhava um bolo de presente todo ano. Bolo esse que era artesanalmente feito pelas mãos da nossa Tia Heloisa que era também a mãe do Ricardinho, ruim de bola mas que sabia dançar e acabava sempre rodeado de meninas. Quando eu digo que o segredo de todo homem é saber dançar, ninguém me leva a sério.

– Pessoal, o aniversário da professora tá chegando!
– Ricardinho…
– Tá, vou falar. A mãe de mais ninguém aqui sabe fazer bolo não?
– Mas é que tua mãe é boleira. Disse Soninha
– Ela não gosta desse nome, se continuar, não vai ter bolo.

Tia Heloisa odiava o nome que o bairro lhe dera: BOLEIRA. Nunca admitiu que lhe gritassem na rua:

– Oh boleira!

Virava as costas e ia embora, o bolo sempre esteve presente em sua vida, na infância era uma bola pois só comia bolo, na adolescência levou bolo dos pretendentes, já adulta resolveu se dedicar para aquilo que tinha maestria. Bolo.

Perdia encomendas toda vez que era chamada de boleira, aos poucos ganhou o respeito do bairro, mas sempre havia um espírito de porco para desfazer o sorriso da mãe do Ricardinho. No mercado quase deu na cara da caixeira.

– A senhora é a boleira? Meu filho estuda com o seu, é o Henrique.

A veia temporal destacou no rosto mas ela se segurou, estava a comprar as coisas para o bolo da professora, Tia Heloisa gostava dela, a professora, tinha ensinado matemática à seu filho. Saiu do mercado sem dar bom dia.

Em casa preparou o bolo com todo carinho e atenção, tinha aprendido que o professor era um segundo pai, merecia respeito, por isso ela fazia sempre sua receita especial: Bolo de formigueiro com cobertura de chocolate e coco.

No dia seguinte, a surpresa da professora (jura?). Balões, dizeres no quadro, um cartão feito a mão com assinatura de todos, apesar da oposição dos bagunceiros. Por fim entra Tia Heloisa com sua obra de arte, uma vela acesa puxando um parabéns animado, estava escrito Marli com anilina e coco, os meninos estavam tonteados com o aroma.

Termina em é pic, é hora, rá, tim, bum, o nome Marli ecoando pela sala. Assopra vela. Agradece. Corta o bolo e oferece:

– Estou muito feliz pelo carinho, mas não posso deixar de agradecer a quem preparou essa delícia, a nossa boleira…

Não houve tempo de concluir a frase, Tia Heloisa enfiou o bolo na cara da professora.

– Boleira é o caralho. É Tia Heloisa!

Foi a gota d’agua

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