Dar a Elza

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Muito se fala, mas pouco sabemos da origem desse ditado popular que utilizamos quando nos referirmos ao simples ato de subtrair algo de alguém. Na maioria das vezes, de alguma bicha má.
Dizeres como: “Passou a Elza” e “Deu a Elza” são tão comuns como abrir a geladeira e constatar que a mesma continua vazia quando se está solteiro.
Mas de onde surgiu essa Elza?
Más línguas dirão:
– De uma vizinha horrorosa que eu tinha.
– De uma cleptomaníaca que morava na travessa.
– Um travesti que foi jogado na roda e criado sob o imaculado coração da igreja, porém, quando este descobriu que seu lugar no mundo era onde o chão emanasse estrelas, foi dado à Elza, uma mulher de meia idade que tocava um boteco na avenida principal da baixada, Passa-rola era o nome da espelunca. Elza moldada em desilusões amorosas e a espera de um homem do qual ela não sabia o nome, aceitou criar a criança que o orfanato cristão havia desistido por conta de seus peculiares hábitos que incluía vestir-se de menina o dia inteiro. Elza o guiou  neste mundo árduo para que não desistisse do futuro brilhante que o aguardava, ser mais que o filho da Elza, ser uma estrela.
O que não faltam são histórias, é coisa de novela mesmo. Nada de mexericos envolvendo comerciante com professora e políticos de baixo escalão com filha de pecuarista.
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Comenta-se a boca pequena que a Elza enraizada no ditado vem da majestosa Elza Soares, a cantora, dona de um par pernas e  de uma voz inconfundível.
Elza ficou famosa depois de assumir seu relacionamento com o jogador Garrincha, já o nosso artilheiro ficou famoso por suas pernas tortas que sambavam com a bola nos pés driblando os adversários. Outra coisa que não podemos esquecer sobre Garrincha era sua malandragem com a mulheres, acabou fisgado primeiro pelas pernas de Elza,depois pela voz, deixando família já constituída para trás.
A fama de “Dar a Elza” vem do ato furtivo que nossa diva, sem ter notório saber, se apoderou do homem com pernas que lembravam as árvores do cerrado.
Há outros rumores sobre a origem do termo, mas o que me encanta são os pormenores de uma vida cheia de altos e baixos de alguém tão encantadora como Elza Soares, entre tantas Elzas ficamos com esta que é lúcida e permitida na firewall de seu trabalho, a não ser que você esteja dando a Elza na wifi de algum vizinho.
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Ninguém entende os jovens

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Não importa o que aconteceu, ou seja, o fim. Mas sim o meio que se deu o fim, eles dizem ser poetas, loucos, vadios, escritores das estrelas. Ocupam os espaços públicos com pichações desastrosas, declarando amor aos devaneios de uma juventude apaixonada.

E o que eu quero dizer com tudo isso? Na verdade eu não sei por onde terminar.

Vivemos um momento de protagonismo juvenil em que todas as causas da vida social acabam desembocando no mesmo canal, as redes sociais.

Por um simples momento o que é para ser uma causa de transformação vira mais um evento de selfies marcando presença com pessoas que as vezes nem se conhecem.

As músicas que circundam a juventude não estimulam nada além de sexo e curtição, mas daquelas bregas mesmo, sem compromisso com o dia seguinte, com o trabalho ou com a responsa de quem precisa ajudar em casa.

Quando eles decidem se comunicar, aí sim, é o fim de uma era que atingia o ápice da comunicação 360 graus, onde poderíamos trocar e compartilhar idéias diferentes para cada meio digital social.

O fim deste meu triste relato está em saber que o acúmulo de palavras lidas por um jovem através das redes sociais chega a uma media de vinte e duas páginas, mas o que ele escreve não se compara a uma página de alfabetização.

Os jovens merecem seu espaço, mas um em que nós possamos nos entender.   

Doutor em gambiarra

Começou muito cedo neste ofício, quando criança foi instruído pelo vizinho que chamava de tio,  a fazer moringas de água com garrafas de guarana Dolly e assim ter água gelada sempre. Com o avanço da economia começou a congelar as pet’s, depois batia o gelo e fazia uns frozen para as visitas.

Amassava restos de sabonetes para criar um novo, multicolorido, futurista. Com a pirataria virtual fez uma boate na garagem utilizando os reflexos do lado metálico dos cd’s inovando o conceito de apenas um bolinho simples….

festa pobre

Estendeu à casa inteira as tendências da moda reciclável , o que o tornou em um acumulador de porcarias, e para dar utilidades a todas elas, começou a  sua reutilização em massaPara o cão da família que misturava o que havia de mais nobre do Tibet (Lhasa apso) com o que havia de mais esquisito do bar do Bituca (vira lata), Farofa ganhou uma coleira com tampinhas e uma guia nova rendada com fios de telefone, um charme, somente quem vivenciou a estadia de Coco Channel na terra poderia entender.

 

Á mãe resolveu sofisticar a cozinha transformando em Tupperware as embalagens de margarinas, latas de Pomarola e potes de sorvetes em utensílios para o lar, coisa de dar inveja na cozinha de Palmirinha e Ana Maria Braga juntos. Um luxo só!
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Junto do irmão  mais novo reparou tudo que estava com defeito no lar, nas dobradiças usou graxa, nas telhas usou pedaços de guarda-roupa velho e nos buracos dos vidros usou durex, isso é que é ser moderno. Praticamente uma aula para se tornar carnavalesco na NOSSA PRESENÇA.

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A irmã que estava na idade em que os hormônios falam mais alto, ensinou a maior gambiarra de todas, esta não precisava de materiais  velhos, fios de cobre,  garrafas de guaraná dolly ou até mesmo acompanhar as tendências europeias, era antiga, vanguardista e ao mesmo atualíssima, era a Mentira. Utilizando-se dela, a irmã mantinha um relacionamento com dois rapazes ao mesmo tempo, enquanto um paparicava com mimos, o outro era bom na pegada, sem pressa ia atualizando seu caderno de falsidade para que um não desse margem à existência do outro. O irmão maravilhado com a nova descoberta, só pensava na oportunidade que iria aplicar a técnica que era um compilado de tudo que já havia feito na vida.

E o pai? Essa família não tem um pai? Tem, e o mesmo ouvia atento durante o jantar, utilizando as travessas novas feitas com material reutilizável, as histórias que envolviam: reparação, inovação e o cachorro estilo Coco Channel.

– E onde você aprendeu tudo isso meu filho?

– Com o nosso vizinho, ele vem todas as tardes conversar com a mamãe no quarto, antes de ir embora me ensina a consertar as coisas.

Em um silêncio infernal, a irmã ria por dentro: Mentiu melhor que eu!

Não cabe descrever o restantes dos fatos mas, a unica gambiarra que se manteve inteira foi o lustre de copo descartável na sala de jantar.

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Collor é meu Brother!

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Nos bastidores do supremo, ouvia-se todos os tipos de comentários

– Que Ferrari é aquela?

– Modelo exclusivo de colecionador!

– Lamborguini, sabe quando eu consigo comprar um? Juntando dinheiro por 3 anos.

– Vocês falam desses carros porque nunca tiveram um Bentley, eu já tive um, inclusive quando ele era presidente, mas aí veio o congelamento da poupança, overnight, Semp toshiba stereo, playboy da Malu Mader…

– A Malu Mader nunca posou nua.

– É por que ele nunca dirigiu um Bentley.

A sessão inicia no horário habitual, todo mundo de pé para receber os ministros, café e água para o colegiado e pronto.

– Dou aberta a 40440494922 sessão desta casa.

Todo mundo senta e começa olhar o celular durante aquela leitura interminável de processo contra o ex presidente Collor, até que chega a hora mais esperada.

– O advogado do réu está aqui para pedir a devolução dos carros, entre eles um Bentley, que é um carro maravilhoso com o máximo de conforto e desempenho, apesar de nossas estradas estarem sucateadas desde a época em que o réu era presidente que ao meu ver fez uma péssima gestão, inclusive a única coisa que salvara aquele momento era a novela Selva de Pedra e a playboy da Malu Mader.

– Meritíssimo, Malu Mader nunca posou nua.

– Se tivessem oferecido essa oportunidade, duvido que ela negaria. Que mulher!

O ministro careca, baixinho da direita interrompe:

– Questão de ordem, voltemos aos fatos. Prossiga a leitura ministro.

– Bem, o advogado de defesa do réu pede a devolução dos carros de luxo para cuidados com sua manutenção.

O advogado com terno alinhado, uma pasta preta, gravata com tom cinza, óculos do Harry Potter inicia seu discurso legitimando os cuidados necessários com aqueles modelos exclusivos de luxo.

– Meritíssimo, o meu cliente comprou de forma licita os carros e os mesmos pedem uma manutenção e cuidados específicos.

– De certo, sou favorável pois sabe, eu tive um Bentley. Sei dos cuidados que precisa, inclusive de lavagem.

No auditório ouviu-se

– Lavagem de dinheiro.

– Sessão encerrada. Disse o Presidente da mesa.

De volta aos bastidores, o ministro encontra-se com o advogado

– Será que eu não poderia dar uma voltinha no Bentley antes de devolver.

– Creio que não ministro.

– Pergunta pra ele se ele lembra do Teo, fomos amigos de infância. Collor é meu amigão

– Oh se é.

Ordem é a questão.

Cinismo

 

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– Pouca vergonha!
– Ninguém precisa ver isso.
– E porque você está olhando?
– Para um dia dizer aos meus filhos o que era errado no meu tempo e os outros diziam ser progresso.
– Eu não acho errado, mas na rua não é o local certo para esse tipo de coisa.
– Justamente, por isso devemos ir lá falar com eles.
– Não vamos não.
– Mas se você discorda precisa me apoiar, de que vale toda essa discussão.
– Sou contra isso em público, mas também sou contra a repressão, eu sim vivi a ditadura na pele, nunca fui a um congresso da Uns por medo de ser levado e desaparecer para sempre.
– Comunista enrustido. Pois eu nunca me calei, nem naqueles tempos,dei sorte mas jamais me escondi.
– Então vai lá e acaba logo com isso, seu moralista de mentira. Teu filho já deve ter feito coisa pior e você não fez nada.
– E tuas filhas? Que ninguém sabe onde dormem nos fins de semana.
– Não vamos mudar de assunto.
– Você começou…
– E você termine.

Não ia dar certo. Dois coroas discutindo um simples beijo na boca, mas não era qualquer beijinho não, era a Dona Higina que estava toda agarrada com um rapazote pra lá de vinte poucos anos. Na verdade o que se discute é a legitimidade do ato, sendo que os dois estavam a cortejá-la quatro semanas ininterruptas, cada um com seu repertório de boas histórias, sobre ditadura, bossa nova, a vida no morro, a vida no campo, o Rio de Janeiro em 70, as Minas Gerais do pão de queijo. Mas ninguém havia se preparado para um gole certeiro como aquele.

– Aquilo só pode ser golpe.

– Não tem outra explicação.

– Não há contraindicação porém, não é normal.

– Pois é.

Por mais de uma hora, discutiam se um deveria ou não apartar aquele amasso descarado. Na frente de todo mundo, ato impensável.

– Como amigo vou defendê-la desse patife. Você fica aqui!

Por amizade eu vou também.

Mas não foram. Olharam-se e satisfizeram-se com a derrota.

– Vamos jogar buraco.

– Só até as 17h, hoje eu tenho um encontro.

O negócio é acreditar, sempre, em você mesmo.

Ps: Não havia encontro nenhum, coisa de velho se achando pra outro.

Fazendo tudo e ao mesmo tempo nada

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Acordei cedo, de ressaca, sem bebida, dormi tarde e acordei, deu nisso. Lembrei que havia algo para concluir logo pela manhã, coisa de quem não trabalha muito mas quando pinta um freelance, precisa ser ágil, nessas épocas de vacas em dieta não podemos optar por uma vida alternativa, inclusive por que nesse mar de concreto e asfalto a única alternativa é trabalhar.
Era algo ligado à internet, mas antes conectei o celular na wi-fi de casa, visualizei as 300 mensagens de boa noite e as 100 de bom dia no Whatsapp, olhei algumas fotos no Instagram e por fim uns nudes no Snap chat.

Passei um café, requentei um pão dormido, coloquei ração para o Elvis e a Bibi que ainda estavam sonolentos, continuaram no sofá assistindo o Bom Dia Brasil.

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Liguei o notebook, abri meu email e nenhuma pista, olhei alguns spams de ofertas, precisava comprar uma cafeteira elétrica, estava fora de moda coar café. Assisti o novo clipe da Marisa Monte, li alguns artigos na Carta capital, Veja, Folha, Estadão e achei tudo parecido.
Dei uma leve espiadinha no Facebook, já eram 11h30. Me arrumei as pressas, coloquei um biscoito na mochila e saí correndo para uma reunião de almoço.

Durante o almoço.
– Você trouxe o que lhe pedi?
– Não me pediu nada.
– O relatório.
Silêncio
– Ficou fazendo o que pela manhã?
Melhor inventar uma mentira
– Nada

Não consegui.

Inveja de ano novo. Feliz 2016!

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Se arrumou, chegou cedo, local vazio porém funcionando, chegou antes de todos, queria prova para falar mal do lugar, da alegria dos outros, da escolha das músicas, das bichas velhas que sempre fazem o mesmo programa no réveillon. Seria a primeira vez que iria curtir uma festa diferente.

Tava difícil reclamar, o lugar estava impecável, arejado, serviço de qualidade, sentou, programação pontual. Para exibição do primeiro show, pipoca.No segundo, brigadeiro (de panela). No terceiro Kitkat (todo mundo come). No quarto show, Coca cola gelada pra rebater.

Não haveria do que falar mal, como é que alguém com 26 anos pode falar mal de alguma coisa? A vida é dura mais é simples, algumas farras, emprego, transa sem compromisso, futilidades, problemas amorosos,  fofocas, peguetes, academia (interrompida), promessas não cumpridas, esse foi seu 2015.

Na verdade, seu réveillon seria mais do que esperado, cultivou inveja quando as amigas casaram, quando o colega assumiu chefia, quando teve festa surpresa pro vizinho do 402, quando a irmã anunciou gravidez, quando o Corinthians ganhou, quando viu a inimiga magérrima, o ex declarando amor no face pra qualquerumazinha da vida. Até quando um cachorro foi manchete na TV por latir de saudade do dono pois, até ele tinha alguém para sentir saudade.

Encerrou 2015 da melhor forma que se podia esperar. Sem grana, sem gato e sem graça. Vendo o show da virada na Globo!

Feliz 2016!

 

Como é que chama aquele menino?

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– Jesus!

– O filho da Maria?

– É.

– Irmão do Tiago?

– Eh mulher!

Ninguém acreditou, como podia, logo o filho do José, o carpinteiro, homem calado, de pouca conversa na vila, ter um filho danado como aquele e ainda por cima, inventador de histórias.

– Mulher, tu imagina que ele agora anda conversando com os animais, e o que é pior é que os bicho fica tudo calado, foi- se a época da Galiléia de meus avós.

– Minha irmã! ontem mesmo ele tava no rio com os meninos , mergulhou e ficou lá no fundo por quase dez minutos, quando Maria chegou aperreada, deu um puxão e perguntou o que ele tava fazendo , Jesus respondeu que tava contemplando o universo, vê se pode.

Um menino de apenas sete anos com uma criatividade incrível. Maria conversava com José, enquanto servia o café da tarde.

– Aí José, tô preocupada com Jesus, vive fazendo umas esquisitices na vila, tenho medo do futuro desse menino.

– Calma Maria, esse menino tem jeito, acho que ele vai ser artista. Num sei… mas esse menino vai fazer história.

E fez. Parabéns Jesus! Que a mensagem a ser repassada seja sempre o amor.

Arrasou no natal, o mundo para pra agradecer a você.

Cannabis Free

 

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São 14h30, uma marola invade a janela da firma, cheiro amigável para Isabele, recepcionista, que namorou o Guto, que lhe apresentou a religião Rastafari, pouca pregação, muita fumação, coisa boa. Isabele conhecia pelo cheiro se era prensado ou puro, extraido apenas das flores. Cannabis Brother!

Ela queria ter falado alto, mas poderia não ser bem aceita no escritório de contabilidade onde havia um crucifixo enorme na parede, ali Jesus ficava olhando de canto de olho para quem enrolava no trabalho, Isabele queria enrolar outra parada.

– Todo dia agora é isso, esses vagabundos ficam fumando maconha aqui embaixo do prédio, vou ligar pra polícia.

– E adianta? Hoje em dia a maconha não dá flagrante, o cheiro é que incomoda mesmo, fecha essa janela!

Enquanto Almeida e Roberto fechavam todas as janelas, Isabele ria por dentro ao saber o que atraía aqueles garotos pra fumarem maconha no pé prédio, a wi-fi liberada. E foi graças a ela que a internet continuou sem senha. Do escritório se ouvia as risadas, as músicas de estilos variáveis.

– Porra! Ouvir funk é sacanagem.

– Isso é eletrônico, é diferente.

– Você escuta essas músicas Isabele?

Ficou compenetrada em seu trabalho, o cara da parede estava pronto a dedurar os preguiçosos.Lá embaixo se ouviu:

– Valeu Isabele!

Os chefes entreolharam-se.

Isabele cansou de enrolar, desceu e foi enrolar com os brothers.

Internet livre, viva a liberdade!

 

 

Futebol de cegos

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-Alo  você que esta nos ouvindo na Se toca FM, estamos aqui eu, seu locutor favorito, Jacinto Forte e meu amigo Cuca Buloso. Eeeeeee hoje é a final do primeiro torneio de futebol de cegos da nossa querida cidade. Queria agradecer ao nosso prefeito Botelho Nabo que prestigia essa festa com sua linda esposa Agata dos Prazeres.

– É isso aí querido ouvinte. Vamos dar início a nossa partida, lembrando que o único que enxerga é o goleiro. E hoje o campinho está lotado para a grande final dos times Cegamente com:  Dorival, Reinaldinho, Farinha, Novalgina, e no gol ele Cocacola. No outro time, Só se for com os Zoio Com: Marreco, Tome uma, Zézé,Um palmo, e no gol Sabichão.

A partida começa, arquibancada atenta, só se ouvi o sino da bola e um cego chamando o outro. Mas não adianta esperar educação em um lugar onde nunca houve bons costumes e decência. Em menos de cinco minutos de jogo, uma gritaria da porra, uma falta de respeito só. O tonho levou cerveja no isopor e vendeu tudo, a Maria aproveitou pra vender suas petas pra quem estava com fome.

No segundo tempo, a torcida estava embriagada e a cara cheia de farelos, já não se ouvia o sino da bola, os jogadores zanzavam no campo, até que sabichão teve a idéia de gritar.

Tome uma, Marreco encima do Novalgina.

De repente uma sacola vazia de peta voa pra dentro do campinho. O prefeito levanta e grita:

– Pega a sacola!

Com a gritaria os cegos entenderam Cocacola.

– O prefeito tá torcendo para o Cegamente, filho da puta.

– Também, todo mundo passou a mão na na mulher dele, ele é mais cego do que nós.

Gargalhada geral, o prefeito entrou no campo pra tomar a bola e acabar com aquela difamação mas, quando abaixou. levou um chute no olho e cego ficou naquele momento, enquanto gritavam sacola, os cegos entendiam Cocacola . Correram em direção ao campo e sentaram a porrada no goleiro, e uns nos outros, briga generalizada, até a torcida foi em defesa do time e dos amigos cegos. Uma criança mequetrefe enquanto comia o último saco de petas, pegou ar, encheu e….

POOOOOOOOOUUUUUUUUU!

– É tiro!

O povo correu desesperado, os cegos seguiram o sons do passos e foram embora também, no meio do campo com a roupa toda rasgada apenas o prefeito ainda procurava seu rumo.

Na cidade, contam até hoje sobre o jogo de futebol que os cegos enxergaram e o prefeito ficou cego, coisa de Satanás.