
Tem dias que você só queria se desligar. Ficar off e pensar no porquê o mato nasce se ninguém planta? A fadiga é o cansaço mental e talvez estejamos em um cansaço coletivo, mas sem ânimo para dizer que precisamos dar um tempo desse excesso de telas. A gente acorda olhando o celular, muda para TV, migra para o computador, fica um pouco no tablet, olha a tela do elevador, do ônibus, da recepção, do dentista. Minha pergunta é: por que eu preciso saber de tanta coisa?
Muitas vezes saber e ver tanta coisa, não basta, é preciso dizer muita coisa também. Como se você um medidor de audiência sobre a sua popularidade, mas a verdade é que parecemos crianças birrentas que gritam no restaurante e somente as pessoas menos interessadas em estarem naquele lugar é que se incomodam. No final do mês, sem grana, sem paciência e comendo o que resta da dispensa, sobra tempo para pensar se tem válido tanto a pena ficar tanto tempo exibindo sua vida na web.
A necessidade de performar na internet tem me levado a sérias reflexões se eu preciso ou não continuar nesse espaço. Vejo gente o tempo todo sendo feliz, curtindo sol e praia, mostrando o corpão sarado da academia e a marquinha do biquíni. Os jovens dizem que isso é a biscoitagem e parece que eles adoram isso. Toda foto ou vídeo mais sensual provoca reações de foguinho e coração e lógico, quem reage é porque esta desejando. Enquanto quem postou fica analisando se vale a pena aderir à reação para quem deu o like. Na real, é muito cansativo. Não era melhor trocarem uma conversa saudável? Elogiar e convidar para sair? E a outra pessoa, aceita ou não.
Eu ensaio bastante a desinstalação de alguns aplicativos, mas eu gosto de ver o mundo acontecendo em lugares que eu não consigo estar presencialmente. O segredo é um pouco de sabedoria no consumo. Um pouco de vídeo de gatinho, um pouco conversas com memes e nada de jogo de tigrinho. Se a grana acabar, não se desespere, não tem previsão de meteoro ainda, é só trabalhar no mês seguinte que a vida continuará a mesma.
No final do mês eu sempre planejo melhor o mês seguinte, digo que vou sair menos, não usar o cartão de crédito e nem comprar nada que não seja emergencial. Como se houvessem um anjinho e um diabinho de cada lado na minha cabeça, ambos se olham e riem a ponto de ficarem sem ar. Se você exagerou no presente do dia das mães, viajou no feriadão ou comprou ovo de páscoa em abril, curtiu o carnaval em março depois te ter vindo de férias prolongadas em janeiro e fevereiro. Eu só tenho uma coisa a lhe dizer:
Que venham as FESTAS JUNINAS! E o cartão que lute para me acompanhar porque eu comer em todas e participar de todos os bingos possíveis. Deus, deixa eu ganhar nem que seja por pena(escrevi para deixar registrado)
Se prepare e anarriê!
Beijo, gente!